quarta-feira, maio 06, 2009

Cheias..


O ano passado foi o sul. O estado de Santa Catarina, um dos mais desenvolvidos em todo o Brasil, foi devastado pelas cheias, em 2008. A chuva foi implacável. Agora os estados do Maranhão, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia estão a ser fustigados pelas chuvas. Milhares de desalojados, vítimas mortais, risco de epidemias, subida do nível da água dos rios que tudo arrasta e a miséria...

Love.story [Variações]

“Ainda o farias? Estás a falar a sério? Contigo não teria problema. Foste a primeira. Eu faria. Agora. Nervoso, vinte anos depois, puxou-a para ele, deslizou as mãos no rosto e encostou os lábios para o efeito almofada. Quando sentiu a boca molhada, puxou os lábios carnudos e saboreou o desejo com o doce do Porto que ainda se escondia, lascivamente, nas reentrâncias digitais da boca. O que imprimiste em mim? O mesmo cheiro. O mesmo sabor, apesar do adocicado líquido. Resgatei vinte anos. Assim tanto e nada mudou. O tempo do amor é de baú. O polegar roçou-lhe nos olhos, sentiu-lhe a vida por eles. As rugas. O branco dos cabelos. E a intensidade rasgada do brilho que ainda respondia como fruta madura que se esmaga na mão, como se derretesse o tempo. Eu faria. Ainda quero. Não sabia que queria. Assim. Lamento-o por ser tarde. O corpo atirou-se para cima da mesa. Não queria era que tivesse esse peso. Não. Só porque realmente quero. E não sabia que queria. Estás mesmo a falar a sério? Puff. Só não tenho dinheiro. Quero sentir-te de novo. Vamos embora. O casaco roça o corpo. Engana o frio. A humidade faz com que o respirar seja bafos visíveis. Afinal tenho frio. Mesmo que não tivesse fingiria só para que me agarrasses de novo. Lembras-te? Daquela primeira vez? Foram várias até ser. Será como a primeira? Quero ir-me. Leva-me. Não sei como será. Mas é magnético. Será bom. Agora não posso, deixa-me lá. E amanhã? Ainda terás tempo para mim? Mais um dia. Um tempo. Aqui, depois de almoço. Manda-me mensagem quando chegares a casa. Acordei a pensar em ti. O desejo levou-me a sonhar-te. A entrar em ti, com beijos em ti. Seria como um Almodôvar em preto-e-branco que entra nela. Ou ela que nunca saiu dele. Eu também. Leva-me. Como me adivinhaste? Lembras-te que me disseste que depois do final seríamos amantes eternos? Vamos. Sem rodeios agora. Foi demasiado bom e inesperado para te perder. É como se ficasse para sempre com este desejo, esta história para acabar. És feliz? Não achas que seja. Agora é tarde. Mas não para o desejo. Não sabia que ainda te desejava assim. Estás diferente. O tempo rasgou-te. Ao menos, agora, não foges de ti. Leva-me. Segue. Vais por aqui. E já aqui estiveste? Com quem? Há muitos anos. Não interessa. Abre a porta. Acende a luz. Aquece a água. Enrosca-te em mim, como fazias. Estou nervoso. Só quero olhar-te. Outros quereriam despachar o voraz negócio líquido. Eu quero saborear-te. Adoro esta sensação. A de me levares. Antes era diferente. É novo para mim. Bom. Melhor ainda. Lembras-te quando adormecia no teu peito antes do pôr-do-sol? Ardente. Acordávamos suados com a porta a bater. Desliza-me em ti. Se calhar nunca mais nos vemos. Viste o perigo disto? Não sabia que ainda te queria assim, depois de tudo. Absoluto. Inesperado. Magnético. Vem. Demasiado. Foi há vinte anos. E agora se não é só isto e também não é amor o que é? Vem. Fecha os olhos. Solta-me. Troca comigo. Agora estou aqui. Amanhã já não. Quando voltas? Nunca saberei. Será que volto? Vamos? Temos de ir… É tarde. Porque não ficamos? Percebeste como somos intocáveis. Perigosos. Agora vais. Ainda te quero. Ela vai estar em casa. Deixa-a. Agora vai. Um dia. Será que nos reveremos, mais vinte anos? Não aqui. Onde será? Nesta vida nada se resolve. As agruras ficam. adormecem. É magnético. Vai. Desliza em mim. Deixa-me ir. “Ainda o farias?"

Só voltaram para casa

Augusto Boal e agora o poeta Mário Quintana. No fundo, eles só voltaram para casa. Nisso sou muito "chapliniana". Que a vida pode terminar em "rewind", apenas e somente como se de um orgasmo se tratasse. E estes senhores, que nestes últimos dias a imprensa diz que se foram, eu sei que gozaram esta vida da melhor maneira. E eu admiro os homens que não têm medo de o ser. A obra de Boal conhecia de perto, porque fiz Teatro do Oprimido. A de Mário Quintana ainda sou pequena para o desfrutar como merece...Pelo menos apanharam o comboio juntos e cumpriram o velho sonho de infância.

POEMA DA GARE DE ASTAPOVO

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

Mário Quintana

Seguindo Bielman A.


A 300 milímetros é perfeita para isto. Pus-me de sentinela nas janelas no 11º andar com vista para o céu da Anna Ullic, Mad Lorac Ahnisuol e Um. Às 10h em ponto saiu. Zoom in. 150 milímetros: As mesmas calças pretas vincadas, o guarda-chuva chaplin na mão esquerda e o corpo vergado mal saído da cama. Desceu a rua. Atravessou a ponte. Desceu as escadas. Mão no bolso (talvez puído de tanto esconder a mão, ir-à-máquina, lavar-à-mão, amaciador, sabão-em-pó; traças, aranhas e ácaros sub-reptícios que assentam patas por ali) e sacou uma nota. Zoom in. Foca. 300 mm. "Click". "Tac-tac". Vinte reais para um jornal e um maço de cigarros: "Carlton, por-gentileza". E só com isto o homem do quiosque pode passar os próximos dois minutos a praguejar. Não tem trocado? Será que o disse. "Humpf"..."Click". Virou as costas. Zoom out. Troco trocado. A passadeira. Volte-face. Vermelho-vermelho. Verde para os carros. "Vuuummm". Um. Dois. Três. Quatro. Um autocarro. Dois autocarros. Outro articulado. Azul, bordô, bordô, azul. "Vuumm". Vermelho. Vermelho. Pó. Fumo-de-escape. Moto. Camioneta. Poeira. Zoom in. 200 mm. A mulher que dança. A criança que grita. A mulher que corre. De ombros pesados (devem estar vermelhos de má circulação). Zoom out. Bielman A. não sorri. Vermelho. Vermelho. Verde. “Não há camiões a esta hora”. Bielman A. pensará. Zoom, mas sem click. Verde-semáforo-pedestre. A passadeira (desbotada, estragada, gasta – dos quilómetros de pés ali roçados: solas, solas, solas ardentes). Uma, a outra. Sobe a escada. Atravessa a ponte. Sobe a rua. Não chove. O guarda-chuva ciumento com o jornal partilha a mesma mão. A do bolso dorme com os sub-reptícios. Sem zoom suficiente para saber quantos. Entra. 2Switch off". Dez minutos de vida de Bielman A. por uma lente. Nada a declarar.

terça-feira, maio 05, 2009

Inadaptada

Corro de manhã cedo para ler as notícias. Já eram. Já não o são. O meu telemóvel toca. Detesto que toque de manhã cedo, por isso, desligo-lhe o pio, até que me arrependo por não estar em contacto com o "mundo". E esse talvez não seja o meu! Mas depois, ai, aquele formigueiro, switch on... E aquela invasão de privacidade que me pode perceber a voz ainda de cama desarma-me e deixa-me irritada. Depois o computador. Ando sempre mais acelerada que ele. Mais a frente. Ah, palpitações, arritmias, ansiedade. O teclado que está desconfigurado. Talvez eu! Enter. Enter. Enter. Eu teclei "enter", porque não respondes? Que chatice. Depois os programas. Sim. O Negrito do Word demora sempre uma eternidade a surgir – ou sou eu de novo acelerada. Ah e tem ainda o tempo. As janelas que abro aqui e ali no computador. Mais uma. E leio aqui. Ah, espera está a demorar a abrir. Melhor ver se o negrito já apareceu. Ok, agora itálico. Ih, outra demora. Será que o gmail já abriu???… Ah, deu erro. Espera estão a chamar-me no skype, no gmail – mas não estava a bloquear? Telefone. E aquela notícia? Já se foi…. Estou irritada. Fiz tudo e não fiz nada. Queria ter lido tudo e esta angústia no peito, de respiração presa porque ainda tenho muito para teclar faz-me parecer letras minúsculas numa página em branco. Quanto tempo levará o CAPS LOCK a aparecer? Ah, Fui. Delete!

Janelas...

Se há coisa que me deixa em rotação de desnorte são as janelas em ti. Abres uma e deixas o vento entrar. Esqueces de a fechar. Depois abres as portadas da de madeira rangente, com as dobradiças ainda mal acordadas do sono de velhice, sem as deixares chiar devagarinho como merecem. Abandona-la porque o que vês através dela, o além de agora, não é suficiente. As de vidros estilhaçados já não te servem. Nem as de persianas verdes. Os teus olhos já não o são. Já não os querem mais. Nunca te lembras de as fechar. Depois não sabes porque vem o vendaval. És como uma corrente de ar que bate as portas entreabertas até partires as fechaduras. Melhor do que isso, seria estares no alto do miradouro de olhos vendados. Verias melhor sem o frio da brisa cortante. Não precisas delas para ser...

segunda-feira, maio 04, 2009

Bielman A. diz

A minha garganta secou. Os pés arrastam-se em sofreguidão para te encontrar. Ou para recolher da terra o vestígio do que resta de ti, desde que me arrastaste para este sussurro de perseguição vadia. Os joelhos rangem. A boca desértica diz-me que o teu amor táctil sempre me foi estranha paisagem que tentei mudar. De lá, arranquei todas folhas vermelhas que cresciam da terra. E comecei a semear as gotas de sémen que escorriam solitárias depois das noites de insónia. Rasgo-te. Como te rasgo! E rasgo os pedaços de sociedades putrefactas, hipócritas que me arrastam a um dever social de amar duramente quem saiu do mesmo ventre que eu. Enterro os pés na gravilha, como penitência das imagens que faço de ti. Esfrego-me na terra para nascer de novo, e deixo que a sujidade se entranhe para me purgar, vergado.

#"Foges-te"..# *


*"Foges-te"- Não me parece que caiba no dicionário comum uma "palavra" tão exacta para designar algo, alguém, coisa, semi-ser, que foge de si próprio na ansiedade de chegar a ser outro que não ele. Daí este "Foges-te" ser possível neste blog e, pretensiosa e propositadamente, enquadrado num dicionário vanessiano.

quinta-feira, abril 30, 2009

Fixa.ções Bielman A.

Cidade-Fantasma

Têm cheiro a paredes velhas e bafo amadeirado, suado, de casas usadas. Fumam a vida como éter. Puff! Esvão-se em pó velho. Têm tinta nas paredes para esconder o sangue das ditaduras. A das palavras e as silenciosas. As mais perigosas que deixamos entrar. Abrimos a porta. "Clav...Clic..Rank". Deixamos que ela se meta na cama como uma amante discreta: dissimula os cheiros do cigarro, não usa batom, nem perfume, só o do corpo depois ido com sabonete neutro; e tem sempre uma camisa a mais para ele com o número exacto, a marca precisa que enganaria a mais exímia das mulheres e é especialista em produtos anti-sépticos contra a polícia conjugal. As cidades-fantasma que habitam em nós são assim. Aquelas que metem as amantes numa casa vazia. São lugares esvoaçantes, idos, que deixam o lixo povoar as ruas, as casas, e toda a beleza de uma brisa tardia sem rasto, exangue, silenciosa, em neurose com a memória porque nunca existiram.

terça-feira, abril 28, 2009

Luxúria...


Estava longe de “abismar-me”, do ruborizar do “embaraço” e bem distante de qualquer probabilidade remota de “ascese”, quando o livro de Roland Barthes “Fragmentos de um discurso amoroso” (1977), na estante do 11º andar com vista para o Museu de Arte de São Paulo, onde moram Anna Ullic, Lorac Ahnisuol, Mu e MadMax começou a magnetizar-me. Claro: num desses olhares lascivos e com segundas intenções que só livros com uma certa maturidade e sabedoria sabem fazê-lo a miúdas despreparadas, como eu, para digerir o que é o Amor, afinal, sobretudo quando ela está acabada de aterrar à cidade que é, essencialmente, o Amor Líquido de Zigmunt Bauman levado ao êxtase.

Folhei-o, portanto. E lá encontro Racine, Freud, Werther, Jung, Sade, Stendhal, Nietzche, Baudelaire e mais uma série de falhados no amor, mas com muita classe e sapiência na arte da orgia, qualquer que ela seja – e desta leva Sade é mestre na cantilena. São outros tempos, pensarão alguns. Mas eu digo, que não. Os "tempos" são, sensivelmente, os mesmos. As neuroses é que são mais crónicas, porque muda a nossa vontade de transmiti-los. Os meios. E nós recalcamo-nos, por isso. Os mesmos animais amorosos individualistas com medo de saber que a intensidade dos laços valem mais que os desafectos e o medo de peito amargo, pesado, rasgado por nadas.

Saibam, então, o que Barthes tem para nos dizer de palavras como estas, baseando-se nas entrelinhas de alguns dos autores desta história.

Abismar-me.
Me abismo, me sucumbo. Lufada de aniquilamento que atinge o sujeito apaixonado por desespero ou por excesso de satisfação. Sartre: desmaio para escapar a esta compacidade.

Catástrofe. Crise violenta no decorrer da qual o sujeito, sentindo a situação amorosa como um impasse definitivo, uma armadilha da qual nunca poderá sair, se vê fadado a uma destruição total de si mesmo.

Cena. Troca de contestações recíprocas. Sade: A cena é luxuosa, ociosa- tão inconsequente como um orgasmo perverso: ela não marca, não suja. Paradoxo: em Sade a violência não marca – o corpo é restaurado constantemente.

Carta- A figura visa a dialéctica particular da carta de amor , ao mesmo tempo vazia (codificada) e expressiva (cheia de vontade de significar o desejo).

Desrealidade. Sentimento de ausência , fuga da realidade experimentada pelo sujeito apaixonado, diante do mundo..

Louco. O sujeito apaixonado é atravessado pela ideia de que ele está ou está a ficar louco.

Querer- Possuir. Ao compreender que as dificuldades da relação amorosa vêm do facto de que ele está sempre a querer se apropriar de um modo ou de outro do ser amado, o sujeito decide abandonar a partir de então todo “querer-possuir” a respeito dele.
Em Wagner p. e.g. "O outro deve-me aquilo de que preciso".

Rapto. Episódio tido como inicial para o sujeito ser capturado e encantado. Freud chama-lhe efeito hipnótico.

Saídas.
Soluções enganososas, quaisquer que sejam, que dão ao sujeito apaixonado um repouso passageiro, apesar do seu carácter quase sempre catastrófico; manipulação fantasiosa das saídas possíveis da crise amorosa.

sábado, abril 18, 2009

quinta-feira, março 26, 2009

terça-feira, março 10, 2009

domingo, março 08, 2009

Pessoal e ....transmissível"

Deliciosa esta entrevista do jornalista Carlos Vaz Marques, TSF, à cantora africana Oumou Sangaré. Nasceu em Bamako, no Mali, em 1968.


"Foi abandonada pelo pai na infância, foi mutilada sexualmente por uma tradição contra a qual se revoltou mas decidiu chamar 'Alegria' ao novo disco que agora está a lançar". Uma lição sobre feridas saradas, perdoar e cultura maliana.
Entrevista, TSF, Oumou Sangaré

quinta-feira, março 05, 2009

Ras.cunhos

Já somos demasiado novos para envelhecer e demasiado vividos para perceber que aquilo que realmente lapida - a ventos, lágrimas, sorrisos, abraços e texturas - em nós são os olhares que nos deitam e importam; a pausa dos silêncios que aprendemos a partilhar e o chão em que nos sentamos como antídoto a cadeiras com assento falso. E as brancas são sinais de pausa, fôlego, ardências. Deixamos de ser sedas nas palavras e passamos ao veludo, que não agrada a todos, arrepia, repele. Se deitado devagarinho quase é talco de bebé. É quando o relógio deixa de importar e só queremos espremer cada laranja-lima para aproveitar o doce e entregar à terra o que é das entranhas para voltar e sê-lo. Já somos demasiado conscientes e impuros para acreditar em nuvens de algodão, mas passamos a vida a lá querer voltar, arranjando desculpas para o fofo dos abraços. E a serenidade do rosa-fucsia do amanhecer.

Uma vez aprendi com o dia. Só se nasce luz-a-luz depois das trevas assistidas a lanternas para dissimular;e que duram breves grãos caídos de um centésimo andar vezes mil. Visto de lá, achamos que nunca chegamos a sê-lo. Porque nunca resgatamos do baú os sonhos que ainda havemos de fazer e-que-nunca-os-faremos-se-não-os-começarmos. É que os acasos existem porque estávamos atentos. E os sonhos acontecem porque calejamos os dedos, ampliamos os olhos, acordamos sem despertador para seguir o instinto e gastamos a pele da perseverança para que seja. Achamos que devem ficar quietinhos na textura das páginas do inconsciente colectivo, mas passei a desligar-me do abecedário em massa para começar um dicionário vanessiano. Na realidade sempre o tive. E mais do que imaginava está lá resgatado, escrito por todos os que lapidaram em mim; construído por capítulo de resgate. Não para sobreviver, mas como lembrete das histórias que comecei e encerrei; das que ainda estão para escrever a tinta invisível; das que nunca serão escritas mas estão lá; das que comecei e recuperei; das que recuperei em queda livre e perda de tempo; das que ainda não estou preparada para ler em voz alta; das que grito e se riem; da l i b e r d a d e com sinónimos de pôr-do-sol, arco-íris, mochila, olhar, pensar… Talvez nunca lá cheguemos até sabermos que os borrões da vida são muito mais importantes que os arquivos codificados que nos obrigam a criar. E se este texto é demasiado vanessiano para se perceber, não importa. É só um rascunho…