“Caramba! Tem cara que tem cada luxo. Meu! Você não acredita! Uma vez tive um cliente que eu peguei aqui em Jardins que sentou aqui do lado. E disse – ah! Eu vou lá no aeroporto de Congonhas! O cara tava de shorts e camiseta de uma marca famosa, aí! Virou para mim e falou assim: - Sabe o que estou indo fazer lá no aeroporto? Eu falei - não! Tou indo engraxar sapato. E não era um par, era um montão deles! Pode? O cara pega o táxi para ir engraxar sapato no aeroporto? Impressionante!
Tem um restaurante lá no Itaim que só a garrafa custa 20 mil reais! 20 mil reais, você tem noção? Contam que o cara passou o cartão, assim oh. (Slap, slap...simula o cartão a passar na máquina....)... Impressionante!
As coisas não são caras, nós é que não temos muito dinheiro, né? (Guina o carro para virar a esquina. Sorri pelo retrovisor... subtil. Olha o céu! Olha em frente. Pára o carro!).
- Eu vi na televisão que tem um padre que mandou fazer na capela, onde mora, televisão, celular, tudo. Debaixo da capela. Quando ele morrer ele quer ficar ali!
Aí, é? Que louco! Quer ficar ali porque morou ali. Não é uma coisa meio besta?
Tô vendo porque tenho um conhecido nosso que está fazendo um programa. Aquele o “Balança”! E estas casas aqui. Tem cada uma! Mas não fica muito caro não. Tem prédio lá em Perdizes bem mais caro. É que quem tem muito dinheiro não quer morar aqui, porque não tem proteção, segurança, sei lá!
É, mas você vê a diferença. Tá vendo aquela cerca ali? É elétrica! Muro alto, pr´a ninguém passar!
- E você? Se tivesse muito dinheiro o que você faria? Um capricho destes?
- Não! Deixaria de trabalhar sábado e domingo. Com minha mulher. Se eu pudesse não trabalhava de sábado e domingo mais. Tirava para descansar! E sexta, também, vai!
Você trabalha de sábado e domingo?
-Oh! Tem vezes que trabalho sim! Não tem jeito!”
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
sábado, fevereiro 23, 2008
Já mandei beijos com sabor a canela. Com cheiro às frutas mais exóticas que se possa imaginar - a palavra exotismo parece até ensaio eufémico; beijos doces; recheados de sorrisos; cheiro a bolacha [a miúda é mesmo esquisita, como diriam alguns- não, não é esquisita é estranha mesmo, não era assim?]; hum... deixa ver: com textura de pele de bebé; com a serenidade da natureza; com suspiros de encantamento; apaixonados; de prazer; com o som do instrumento predilecto...enfim... Terei dado...[enviado?] estes e muitos mais. Mas este é, sem dúvida, o meu favorito: mandei um beijo frame a frame... Pode até ser uma valente palhaçada, mas na verdade vocês já imaginaram o que seria dar um beijo assim? Divinal!
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Por falar em Fidel!
-"Então não soubeste? O Fidel Castro renunciou!Não me digas que não sabias?"
Não, perdão! Passei 15 horas em trânsito, 12 delas a cruzar o Atlântico. E lá em cima, ainda não temos as notícias dos últimos milésimos de segundo. E já não é a primeira vez que perco um "grande acontecimento" por estar encafuada numa cápsula qualquer que me leva para outra geografia. Cá fica a redenção desse pecado grave do mundo pós-histórico - como diria Vilem Fusser - que é estar desinformada do mundo, nem que seja pela impossibilidade de comunicação. Sugiro a retrospectiva fotográfica da Agência Magnum sobre o ex-líder cubano. Como esta do Henri-Cartier Bresson:

E por falar em Magnum. Há gente com sorte! A Caixa Cultural, em São Paulo, Brasil, inaugura hoje uma retrospectiva sobre a agência fotográfica, numa viagem de quem anda há 60 anos a olhar o mundo com olhos de ver...e sentir. Ah! E claro! A sortuda sou eu que sábado passo por lá!
Fica aqui o exemplo de um dos meus fotógrafos de eleição. O brasileiro Miguel Rio Branco.
Não, perdão! Passei 15 horas em trânsito, 12 delas a cruzar o Atlântico. E lá em cima, ainda não temos as notícias dos últimos milésimos de segundo. E já não é a primeira vez que perco um "grande acontecimento" por estar encafuada numa cápsula qualquer que me leva para outra geografia. Cá fica a redenção desse pecado grave do mundo pós-histórico - como diria Vilem Fusser - que é estar desinformada do mundo, nem que seja pela impossibilidade de comunicação. Sugiro a retrospectiva fotográfica da Agência Magnum sobre o ex-líder cubano. Como esta do Henri-Cartier Bresson:

E por falar em Magnum. Há gente com sorte! A Caixa Cultural, em São Paulo, Brasil, inaugura hoje uma retrospectiva sobre a agência fotográfica, numa viagem de quem anda há 60 anos a olhar o mundo com olhos de ver...e sentir. Ah! E claro! A sortuda sou eu que sábado passo por lá!
Fica aqui o exemplo de um dos meus fotógrafos de eleição. O brasileiro Miguel Rio Branco.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
terça-feira, fevereiro 12, 2008
La Pedrera




Curvas sinuosas que deixam a vertigem de perto. Formas fantasmagóricas que se liquefazem como manteiga. "La Pedrera" é um dos muitos projectos de Antoni Gaudí, que habitam Barcelona, construído entre 1906 e 1910 para a família Milá. Para ler, devagarinho, ao ritmo do derretimento...
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por vnrodrigues
domingo, fevereiro 10, 2008
Infâncias

Cheira a terra. O musgo não secou. E os riachos ainda sabem a água fresca como outrora.
São os mesmos das partidas de barcos. Não: das folhas verdes que fazíamos de barco, com formigas a bordo; com direito a corrida infantil, para ver qual dos barcos havia chegado ao fim do riacho. Até aquele ponto pequenino onde o musgo ainda não estava seco... Por isso, como a água fresca, a terra ainda cheira a ela. E a foice do tio Zé continua a resgatar os rebentos da vida.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Santa Ignorância

imagem do site www.trekkingchile.com
Hugo Chávez masca folhas de Coca... Uhhh! E depois? A imprensa portuguesa tem dado destaque a um caso que é, na verdade uma banalidade. Sobretudo na América Latina. É a cultura, estúpido! E não!: não é a banalidade por si só, mas sim pelo facto da folha de coca ser, no seu estado puro, uma erva medicinal como outra qualquer. Se a coisa se resumisse: ah o Presidente da República de Portugal bebe sumo de papoila em jejum, todos os dias! Porque faz bem ao colesterol...E por aí fora! E depois? É que estas e outras histórias não são mais do que caricaturas da ignorância das pequenas coisas culturais sobre o outro, mas também da falta de investigação dos media para perceber que essa da folha de coca é a mesma coisa que alguém dizer que quem bebe vinho é alcoólico. Santa Paciência... A folha de coca vende-se em sacos nas ruas da Bolívia, em várias barracas porque é, sim, uma erva medicinal e tratada como tal. Usa-se as folhas para mascar ou fazer chá. Diz-se que sacia a sede, fome e, sobretudo, [esta por experiência na primeira pessoal do singular] ameniza as dores de cabeça pelos efeitos do mal de altitude (Soroche)... Foi esta erva medicinal que salvou muitos trabalhadores de minérios na América Latina de morrer de fome, sede e cansaço. Dias a fio sem ver a luz do dia e sem ter o que comer! O resto é especulação...Só depois de receber tratamento químico é que se transforma em cocaína. Ah, e mais: A COCA-COLA usava, inicialmente, na sua composição as folhas de coca. Até os EUA proibirem o seu uso...Chama-se a isto: Santa Ignorância. E lamento: estou farta de mediocridade!
domingo, janeiro 13, 2008
quinta-feira, janeiro 10, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Nos últimos dias tenho ouvido uma série de argumentos para me convenceram a passar as festas natalícias por cá: São Paulo, Brasil- a cidade da insónia. Calor [infernal], vinho gelado, doces diversos( que existem o ano todo, na verdade); saltar sete ondas no mar quando "dobrar" o ano; praia, e por aí.
Engraçado: nenhum dos argumentos repetidos parecem sequer me despertar a pupila para uma dilatação sobre a dúvida. Aliás, todas as formas de convencimento possíveis, mesmo bem esgrimidas, nunca estariam sequer perto de um pestanejar pela hesitação entre o lugar de estar, nesta altura do ano. Todos os argumentos serão sempre a antítese de mim. Lamento, mas Natal é com o friozinho, orvalho e cheiro a terra molhada, café na "chocolateira", bacalhau na brasa, vinho decantado...e claro, em primeiro lugar, o calor merecido de quem amamos: a família!
Engraçado: nenhum dos argumentos repetidos parecem sequer me despertar a pupila para uma dilatação sobre a dúvida. Aliás, todas as formas de convencimento possíveis, mesmo bem esgrimidas, nunca estariam sequer perto de um pestanejar pela hesitação entre o lugar de estar, nesta altura do ano. Todos os argumentos serão sempre a antítese de mim. Lamento, mas Natal é com o friozinho, orvalho e cheiro a terra molhada, café na "chocolateira", bacalhau na brasa, vinho decantado...e claro, em primeiro lugar, o calor merecido de quem amamos: a família!
quarta-feira, dezembro 05, 2007
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Um dia pode ter muitas noites. Mas as noites, essas, podem ter muitos dias, arrebatados por muitas manhãs!Já sabemos que em São Paulo, a cidade que, dizem, não dorme nunca - tamanha a insónia de homens por existir - um dia tem mais de mil horas. Falta saber é: quantas vidas, tem, então, um dia!
Não chegam as noites, nem as vidas, nem as manhãs para confessar, porque elas, mergulhadas em tamanha insónia; ocupadas em não dormir nunca, para que possam pôr o relógio da vida a funcionar, e dar vida a uma cidade de várias cidades - estão atarefadas em contar quantos dias ainda pode ser dia, depois das noites!
Não chegam as noites, nem as vidas, nem as manhãs para confessar, porque elas, mergulhadas em tamanha insónia; ocupadas em não dormir nunca, para que possam pôr o relógio da vida a funcionar, e dar vida a uma cidade de várias cidades - estão atarefadas em contar quantos dias ainda pode ser dia, depois das noites!
sábado, dezembro 01, 2007
Dobrar a noite
Comer um crepe com nozes e mussarela de búfula. Beber uma "Original" num boteco perto de si! Bis da "Original"! De novo a "Original"! E mais um: glu, glu, glu! É reincidente e nada original beber de novo essa: a "Original". Mas é verdade. Chegar um amigo.E mais um. E mais outro. Outro e ainda aquele, aqueloutro. Para embalar as noites com desabafos quentes de afectos. E abraços prolongados!Receber um telefonema! Saber confortar. E depois outro. Pagar a conta. "Foi exagerado", pensamos! Sobretudo os que ficam para o fim, no rescaldo das dívidas daquilo que não ficou pago. E perdemos a coragem de dizer mais tarde o que o outro se esqueceu de pagar. Afinal somos de desabafos e afectos ternos. Sair de lá. Rondar por uma "Original" que já deixou de o ser às duas da manhã. Encontrar o lugar do snooker. Refúgio de altas horas, como um mal menor para quem não joga, como eu! Vem mais uma dessas que desde o início o é, mas neste texto já deixou de o ser. Saborear. Trocar. Beber. Saborear. Trocar...Depois dos afectos e dos desabafos, as conversas francas. Mais um gole. Mais um gole de palavras curtas e significados longos. Ficar ali. E entender que o pequeno-almoço é a próxima estação. Sair. Cheirar o pão. Mais fresco que o cheiro da manhã espontânea. Esta? Descer a rua. Sentar na escada. Bater à porta. Uma espera de mais 30 minutos com a noite densa e a madrugada alta. Cinco horas da manhã. Dez graus. Sabemos quem somos; e gostamos de sê-lo. Com demora, entrámos. Croissant e bebida quentes que se acabam de fazer na boca. A mulher diz que canta. Quer cantar.Os olhares de cumplicidade. A amizade que ninguém tira. O suspiro pelo dia. O respirar pela primeira manhã de Dezembro. Amanhecida com a luz do dia, depois da noite. Chegámos. Próxima estação nem a cama nos quer. Apenas que vejamos o dia. Assim como ele é, ao cair da noite, antes que seja outro. Por muito que se repita ele é assim: como a palavra que ainda o é e que neste texto já deixou de o ser. Bebi o dia, depois da noite!Terminei este post...glup!ahhhh!
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