sexta-feira, maio 30, 2008

#Retratos Buriti

A câmara é um brinquedo. Sorrisos espontâneos. Daqueles que remexem o corpo, com um nervoso miudinho nos olhos, nos lábios. Um-jeito-de-quero-que-me-tires-uma-foto-mas-não-quero-que-percebas-que-eu-quero! Reviravolta. Como você se chama? Você não é brasileira! Você é italiana?; argentina?; já sei: espanhola; ah espera, já sei, você é do Chile né? O português é diferente. Você vem de longe. De Portugal?







Há poucas oportunidades de visualizarmos imagens que vemos em sonhos. Contrariando a tese de quem diz que eles são a preto e branco, os meus são a cores.
Sei que já sonhei com este cenário. Não me lembro quando, nem em que contexto. Mas há qualquer coisa de familiar nestes traços. Este poderia ser um retrato de um dos meus sonhos... Imagino, então, se por esse mundo fora, encontraria outras imagens que, sem querer, me levassem nessa viagem ao inconsciente. Assim, bem acordadinha!

#



Dois Irmãos de Buriti

1h. 20 de Maio, 2008. Campo Grande, Mato Grosso do sul. Quarto de hotel. Vigésimo andar. Apago as luzes. Flashes lá fora. Abro a janela. Raios. Conta. Um, dois, três, quatro, cinco, seis… Trovão!
Uau! Vou tentar fotografar!, pensei. Pego na máquina. Meço a luz… Velocidade. Agora vai… Tento uma, duas, três. O cartão quase cheio, depois de um dia de um lado para o outro… Tento clicar de novo no botão para disparar. Não dá. Tento. Mais uma vez. Outra. Daí em diante!!!! Ok, nada! O cartão ficou cheio… Só pode!
Em vez disso, aparece uma mensagem de que o cartão não estava formatado. Estranho! Não me deixa tirar mais fotos. A máquina não consegue lê-lo. Não consigo visualizar nenhuma das fotos… Fico confusa.
Nesse dia tinha estado no Pantanal. No meio daquela aguarela única…. Fim de tarde. Depois, tinha rumado para uma aldeia indígena perto de lá… Portanto, dezenas de fotos únicas que me tinham atiçado o olhar… perdidas? E que eu, por vontade de sorver um pouco da magia daqueles lugares, tinha registado, pacientemente??!!!! Ok. Estava confusa. O cartão com toda essa “magia” não funcionava. Computador não lê. Laboratório fotográfico nada.
“Desculpe, mas não vai conseguir!”. Já tinha ouvido falar que até de cartões formatados se recuperam arquivos. Como é que me davam um NÃO? A mim?
Mas esta história tem um final feliz! As fotos que vou publicar nos próximos "posts" são filhas desse cartão! No fundo, isto tudo para dizer que estas fotos só foram recuperadas, desse cartãozeco temperamental, graças ao Cauê Ito!!!! Merci!!!





quinta-feira, maio 29, 2008

quarta-feira, maio 28, 2008

#3








Este azul intenso cheira a liberdade! O branco é uma almofada onde se aconchegam os meus voos; e as linhas a forma como vejo, para depois me reinventar num giro contínuo.Sou andarilha mesmo! Não me vejo noutra condição! A vida é viagem - e por elas sou apaixonada!Viva o sol de fim-de-tarde;os cadernos em branco e os cliques que me fazem voar!

segunda-feira, maio 26, 2008

#1















Dormir assim! GOLDFRAPP, "Seventh Tree" (2007)... Todo o álbum é digno dos ouvidos!
A coreografia não é das melhores...Parece o regresso dos monstros da natureza, mas esqueçam! Façam de conta que não está lá! Ouçam...Devagarinho!É isso que vale...

terça-feira, maio 20, 2008

segunda-feira, maio 19, 2008

A-e-r-o-p-o-r-t-o

O mesmo telemóvel há dois, três, quatro anos! Um novo; com câmara; música; psicadélico; polifónico; alucinado; e ainda não tirou o plástico que protege o ecrã dos riscos; ou dele dos perdigotos!
Os mesmos sapatos de saídas especiais: sobretudo para ir à missa. O bigode está cortadinho, aparado – bem rente ao lábio superior. O espirro. Tosse. O fecho de velcro que abre-fecha-abre-fecha-abre os nervinhos! A fotografia no telemóvel, naquele dia à porta da casa-de-banho, mas no aeroporto internacional. “Que chique! Estive aqui”. “Última chamada para embarque no portão número 7. Tradução para inglês – dlim, dlim, dlam!
Os olhos siderados na televisão. “A base é feita de mármore Carrara!”
“Porto Seguro! Última chamada...”

Quando coça o olho enruga a pálpebra. 13h53. Vôo 3638 – “Última chamada para Salvador com conexão em Porto Seguro”.Proibido Fumar, Lei Federal, número 9294 de 15/09/96. No Smoking. Federal Law ..etc…
“Senhora Ana Cristinha Melo, Alissia Rosaka, Fernando Figueira, Fábio oliveira, Fernanda Rocha – esta é sua última chamada com destino a Porto Seguro”. Sacos que amarfanham; pés raspam o chão; receitas familiares na TV; zip zip do telemóvel, crianças inquietas.
Dlim, dlim! “Sílvia Castro, Márcia Indolfo, Luis Gonçalves – última chamada com destino a Salvador.

“Internet Móvel – chegaram!” Porto Seguro não vai só. Café, bonés, golas altas, cachecóis, sapatilhas, botas, sandálias, t-shirts, mp3 (antes escrevia-se walkman) cabelos lisos, enrolados, enriçados, presos, curtos, crespos, vermelhos, loiros; “Freeshop” (Uau!), calvos; suíças; caracóis, castanhos; loiros; brancos, grisalhos, franjas, escalados, ripados, esfiapados, pretos, pernas trementes; telemóveis irritantes; irritados; portão 7; gabardines; unhas vermelhas; meias cor de pele; olhos verdes; sobrancelhas cerradas; franzir o sobrolho; suspirar; adormecer; esperar; caladinhos; olhar em volta; espirrar, perceber; esquecer; divagar; viajar sentado; dormir; cruzar as pernas; comer, comer, comer; ansiar, ansiar, ansiar; beber; tossir; falar em bla contínuo; desacorde; desafino; abrir as pernas; ser cliente terra; ou uol ou bol, ou Yahoo, ou hotmail, ou Google, ou sapo – assapar? – ou Telecom, ou vivo, ou TIM, ou Bravo, ou Veja, ou simples até ficar complicado; jeans, saias, calções, cuecas refinadinhas – talvez um porto seguro – arco-íris, pólos, sweats suadinhas; nada; tudo, nosso, meu, teu, dele, calças brancas, beges, como as meias, puídas; os sapatos, os dentes, a vontade de ficar, o medo de voar, com os pés arrastados no chão; levantar; o medo; pó; medo; a sinalética, proibido fumar- a lei federal.

A casa-de-banho: homem ou mulheres; damas e cavalheiros; ele, ela – nunca ir ao mesmo para não dar azar... Ser supersticioso no aeroporto; rezar, olhar, azar, ver TV; ouvir a mesma música; Windows a abrir/Windows a fechar; folhear a revista; ouvir os mesmos anúncios; sentar no mesmo banco de ninguém; não saber, querer; fumar, olhar; proibido heim... Olha: lei Federal. “É hora de voar e ser feliz”- Varig. “Numa viagem- Vivo- é sinal de Segurança ; batom; espelho, pente, perna descruzada, costas reclinadas, tronco inclinado. Óculos; uma assinatura de 7 reais por mês.

Correntes de prata, ouro, plástico; pouca luz; sem ar; industrial; fila de rabos sentados. Este tipo de mala não compro mais. Malas, sacos, bolsas, carteiras, mochilas....Sussurros, sono, sono, sono, náusea, enjoo; saturação; fastio; barba; pele macia; nariz snifado, microfones estragados, ruídos, casacos rendados, remendados, rasurados, ripados, puídos, costurados, sujos, sujos, sujos, escadas rolantes; “Freeshop” (Next stop: paraíso); headphones, risos, risos; charme, tédio, figuras ridículas, carnudas, microfone preguiçoso, com som de vento; os vôos atrasam porque depois de tlim tlim estridente é um: “som, som..." nada se ouve...tlim Furzzzz.

Exercícios para relaxar, encostar na cadeira, os olhares siderados... Lá, TV familiar. Foz de Iguaçu com última chamada no portão número 5.
“Com sua atenção: Carlos Faria, Cláudia Souza, Pingui Shang... ”Last Call” Passaportes, identidades resumidas a um papel... Nada, nada, nada... Massa... Villa Vittini: “Luxo de Inverno”...Cafés...Assaltos, depoimentos, menores, sono. Voo atrasado. Emails, ansiedades, relações líquidas, derretidas, catotas de nariz s-i-d-e-r-a-d-a-s, ar, ar, ar; cubículos, mochilas, malas, comida, guardanapos de papel, lenços, entrevistas, luzes artificiais, holofotes, encafuados por metro quadrado; camisolas de lã, frio-quente-frio-quente-frio-gelo-uau-fogo! ... 24 horas em trânsito....trânsito por 24 horas. Roda...Gira...Ciranda...Tontura... Ar, ar, ar! Sexo no WC: nunca ir ao mesmo para não dar azar!

saudades disto!