sábado, fevereiro 14, 2009

Mondo.tagem

Será que ninguém crê, isso sim, que as mais recentes imagens do Fidel Castro com Cristina Kirchner, Michel Bachelet, "and so on", têm algo de muito errado? Ninguém suspeita que são fotomontagens? Tenho feito o papel de desmancha-prazeres, mas ninguém me convence do contrário! Talvez estejamos demasiado insensíveis à farsa. Vivemos nela há demasido tempo para saber distinguir, nesta altura, o que é real, ou fabricado!

Castro e Bachelet

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Todos os nomes

Seja com o mar a servir de escalda-pés; seja com o manto azul de um céu cinematográfico a dar-nos uma lição de liberdade; seja com um lago imenso, que mais parece mar-de-noite-sozinha a servir de espelho para a redonda luminosa lá em cima, insinuante no manto negro do tecto do mundo, só com o silêncio; nós somos aquilo que parecemos para os outros e nada mais. O que já fui, bem sei, em cada linguarejar esdrúxulo! Em cada país que me reencontro com o espelho, percebo que há uma profunda ideia de nós, no mundo! É: quando me olham e vêem o que está além. Lembro de cada nome que disseram que tinha, como se rasgassem o meu em pedaços e eu nascesse de novo. E com o olhar e palavras serviram o ritual de iniciação: é! À conta disso já fui Joanna de um pescador em Cabo Verde; Lis para as amigas do Rio; Marta para o amigo da amiga; Débora para uma professora; Helena, Leonor, Clarice, Va, Van... silêncio...e Luna! Talvez a mesma que eu vi sobre o lago que parecia, que parecia mundo!

terça-feira, fevereiro 03, 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Anatomia de mar


Há maré alta domada pelo vento desgarrado que leva os grãos aos olhos e embacia a alma dos barcos. Há brisa forte que é leme e bolina, desalinhados nas coordenadas de ondas já mareadas e que hoje despertaram mal-humoradas pela frieza da neblina.
Dizem, os mais antigos, que Janeiro é assim, um tempo de expiação na costa do Sal, em Cabo Verde. Com homens de pés nus, escamados, gretados por lágrimas de um mar vadiado, mãos sulcadas por cordas envelhecidas, ásperas, rudes, virgens de terra e sábias na arte de segurar o peixe roubado à água. Depois há barcos que perderam a conta aos segredos sussurrados. E levam cultura nas tábuas coloridas.

Ainda não são 9h da manhã e o sol já queima a pele escurecida do Hermes. Tem olho de criança, ternura adoçada. Mas hoje está zangado. A sobrancelha eleva-se quando fala, os lábios endurecem e a magreza responde com o corpo hirto. Em gestos acelerados, irritados, ignora as palavras de boca cheia que Itu lhe diz como rixa de adolescentes. Já se fizeram homens, mas há nesta nossa maneira de viver um certo deslize quanto ao tempo presente, que nos leva lá para o despertar das hormonas.

Cabelo arrepiado, pele espicaçada como gato ameaçado. Quase guincha com o corpo. Num só golpe de braços no ar, pega no cesto de plástico. Arrasta o peixe para que Itu não se esquive a tirar-lhe a clientela. Contorna a multidão que se vai como íman à única pescaria que chega aqui a esta hora. Agarra na faca, mergulha as mãos no peixe e zás-flit-flit: vai escamando a pele do desprevenido. Talvez turvado pelas águas aflitas; talvez ludibriado pelas redes labirínticas que as mãos fizeram para não escapar.
- Hoje só há este, que o mar não quer dar mais, diz Hermes. E olha irritado, concentrado, com resignação - que é como quem quer desabafar que a culpa é deste vento endiabrado que Janeiro mandou dar.

Depois, mais cortes afundados. Rasgos que soam a tecido rompido. Sangue que pinta as mãos. E, a esta hora, o pontão já está, de novo, impregnado de escamas ásperas; e envaidecido com os reflexos dos corpos que ainda resistem às agruras do vento devorador. Sacode. Sacode. Levanta as escamas expulsas. E como a fúria do corte acalmou o pescador de olhos ternurentos! Agora, já o sangue do olhar voltou ao crioulo doce da fala. Talvez espere, que da mesma forma, o mar perca essas rédeas revoltas e lhe siga o exemplo. É que alma de pescador ternurento já sabe que é mar...

quarta-feira, janeiro 28, 2009

terça-feira, janeiro 27, 2009

Sabe-me a pouco...


Dali escorregam hormonas que só crioula sabe domar. Nada contam ao vento, que fustiga esta costa de sal adocicado. Há crónicos paradoxos como este que só se explicam com as mãos enroladas na areia e o beijo rasgado da brisa antes do tempo. Em jeitinho atrevido que só os olhos pedem para não denunciar. Como é que Sal não sabe assim quando molhamos os lábios com a língua para saber o que é o vento nos traz, ali, a ver-o-mar? Não há afectos que partam destes portos. Nem sabores que se desconheçam. Não se sabe o que há. Sabor de relento. Sede de mar. Aqui resta o amor do tempo perdido e a sageza dos humores do paladar. Há pessoas que sabem doce, ainda que não as provemos. Depois há o manto rudimentar sedimentado. Pontilhado de rochas que já o foram. E ele enterra os pés, secos e rugosos de quilómetros queimados em grãos sempre novos, desconhecidos. Raspam sim, como se estivessem a ronronar um prazer displicente por serem assim massajadas por pés pesados. E o suor que lhes escorre gotejando pelo corpo nu, portentoso, em chocolate- derretido-queda-livre, maliciosamente exibido em birra contra a luz. São pés que lutam por direito a um leve roçar redondo na amante promíscua em cada toque. Ela já não sabe quantos dedos a envolveram num encantamento de fim de tarde. Saltou, rebolou, bruxuleou como vela, rodopiou, rasgou prazeres grão-a-grão, voou em tiro livre para redes alheias, sem dono, em cada posição adversária. Essa bola, amante fácil, que precisa do movimento alheio para se exibir, como as hormonas destes corpos dedilhados por luz com sede de mar. Paridos ao relento, filhos de Sal, de água e de vento gotejado. Como será?

sexta-feira, janeiro 16, 2009

quarta-feira, dezembro 17, 2008

segunda-feira, dezembro 15, 2008





Baco de fim-de-semana

De.gustações!!!
Sábado em casa da Lu.Carol
Ficha Técnica
Vinícola Quinta Nova de Nossa Senhora Do Carmo
Marca/Linha Grainha
Uva Tinta Roriz / Touriga Franca
Safra 2005
País Portugal
Região Douro

QUALIDADE: Aloirado doce - Reserva Tawny
ORIGEM Portugal - Região Demarcada do Douro
SUB-REGIÃO Tabuaço; Ervedosa do Douro (Cima Corgo); Numão (Douro Superior).
CASTAS Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta
Barroca, Tinto Cão
IDADE DAS VINHAS 20-40 Anos
TIPO DE SOLO Xisto
ENVELHECIMENTO
Lotação de Vinhos do Porto seleccionados entre os melhores
de cada colheita, envelhecidos em casco de carvalho, cuja
média de idades é de 5/7 anos.
ENOLOGIA Jorge Manuel Pintão / Luís Rodrigues
NOTAS DE PROVA: COR ALOIRADO com tons acastanhados.
AROMA Com nuances de frutos secos, fumo e baunilha.
PALADAR Macio, com um final longo e persistente.

Domingo, em caso do António...

Rio Sol, Branco, 2006
Região: Vale do São Francisco, Brasil
Produtor Dão Sul/ViniBrasil
Classificação: Vinho Fino Branco Seco
Castas: Chenin Blanc, Moscato Canelli
Vinho brasileiro feito por portugueses. Suspeitíssima, eu, a enóloga é minha amiga!

Montado, 2006
Vinho Regional Alentejano
Castas: Alva, Tamarez, Rabo de Ovelha
Notas de Prova:
Cor: Amarelo com laivos esverdeados
Aroma: Lichias, nêspera, lima e ananás
Paladar: suave, frutado, e com maciez equilibrada
Nota: médio

Cabriz
Colheita Seleccionada Branco
2007
Região: Dão
Classificação: VQPRD/DOC Dão
Castas: Malvasia Fina, Cerceal, Bical, Encruzado

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Lista de natal

Chega esta época do ano e parece que algo acontece, realmente, na vida das pessoas. Uma série de manifestações esquisitas (a que já deveria estar habituada, porque o ritual repete-se) levam-me a pensar que, apesar de tudo, os consultórios psiquiátricos colectivos são, nesta altura, bem mais caros do que a terapia diária. Presume-se! É. E essa função é bem cumprida pelos shoppings e toda a espécie de lojas comerciais, que plasticamente usam, de orelha a orelha, o sorriso elástico dos empregados formatados para nos convencer a dedilhar os dígitos mágicos: c.r.é.d.i.t.o
Estranha e esquizofrénica palavra, porque esses mesmos empregados têm um ar, tudo menos, credível! Ahhhh!não gosto do Natal, particularmente, pela histeria coletiva. Mas gosto dos "sabores" do Natal e o que isso representa para mim. É a única época do ano em que - há dois anos – vou a Portugal. São 11 meses fora, e um mês para matar todas as saudades e renovar-me!Um mês chega, costumo dizer...embora, às vezes, queira voltar só um bocadinho às pequenas coisas que me deixam derretida pelas minhas pessoas...

Por isso, a minha lista de Natal, talvez seja a menos sofisticada do mundo. Mas é a que me vai dar o maior sorriso planetário, de orelha a orelha (quase com cara de ET.). A sensação mais esgotada de realmente achar que a vida vale a pena por isto...Coisa de emigrante, talvez!

lista de Natal- os milhares de abraços da família e a gritaria na véspera de natal;

- as primeiras palavras da Sara e da Beatriz;

- decantar o vinho com o pai;

- Rabanadas da minha mãe;

- e colo dos dois;

- deitar a cabeça no ombro do meu irmão enquanto a lareira crepita;

-as mil perguntas dos meus amigos até se habituarem de novo às minhas piadas de que só eu me rio (alerto: infelizmente não consegui mudar e os meus irmãos brasileiros riem-se mas não as entendem, tb. Mas são uns queridos, porque não me querem deixar ficar mal);

- o cheiro da terra molhada no jardim;

- dos cafés prolongados com os amigos;

- dos almoços em casa dos avós que insistem que estou muito "magrinha" (mera impressão estereotipada, porque como dizem as amigas "és uma falsa magra". ok!) e tenho de comer dois pratos de coelho estufado com arroz, seguido de queijo branco, chocolate, fruta, doce, vinho, doce e uma bagacinho para “compor”;

- os ciúmes e as reclamações dos amigos (estás sempre com a agenda preenchida, não vais ter tempo para mim? – não é bem assim, vcs é que trabalham demais);

- dormir no sofá (mania que desenvolvi no tempo das insónias);

- andar de metro, e ver afinal em que mudamos, nós portugueses, apercebendo-me do quão antropológica é a experiência;

- café, café, café, café, café...

- os jantares prolongados de peixe grelhado e “Planalto” ou “Muralhas”;

- as viagens de comboio;

- as caminhadas pelas ruas do Porto;

-do cheiro de Lisboa;

-ler um livro no café;

- das noitadas no Pipa Velha;

- dos regressos, das idas e vindas e dos afectos;

- do frio;

- do cheiro a chegar;


É! Chegamos a uma altura em que relativizamos o resto. Serenamos e aprendemos a perceber a vida é mais leve do que o peso lhe damos!

segunda-feira, dezembro 08, 2008



5 minutos de fama!

Não se pode dizer que as minhas amigas me tratem propriamente mal. "É brincadeira!" Vinho e Narguilé (será que é assim mesmo que se escreve?) à tarde e conduzir a TL delas ao fim da noite - nos meus 5 minutos de fama pelo desafio da Lu.
-ok, Van agora passamos a heitor. Vai dirige aí!
-ah, não.hoje não! é tarde e além disso a dor de barriga não deixa.
-esquece isso. vai troca comigo!
-Hã!
-Vai! (essa é da Carolina)... Uma diz mata, a outra esfola!
-É diferente! E o acelerador bem lá em baixo!
-Só dá um tempo! Vai!
- Ok!
-Deixa engrenar!
-Vamos!
-5 minutos depois estava como uma criança, a quem tiram um doce! Já chegamos?Espectacular! Um cheiro de TL! Vai Lu e Carol! Vai haver uma próxima na vossa Teresa Louca? Prometo fotos da verdadeira para breve!

fim-de-semana


V.1 Geleia de frutas vermelhas. Cereja, framboesa. Final de boca, delicioso! Ainda por cima premiado! Entendo melhor Baco quando o vinho escorrega. Sessões de domingo à tarde em casa da Lu e da Carolina!
V.2 Adega Maior, 2007. Branco...
Ananás, escorregadio!Pelo senhor dos cafés. Nabeiro. Alentejanos. Não encontrei a foto do branco!E não se queixem se estiver fora da linha! um ano a provar dos melhores vinhos deixa qualquer balança de TPM!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Entregou à hora certa. Sem atrasos, preguiças ou desculpas que justificassem um lento chegar do corpo ao tempo. E ainda as acácias não tinham acordado. Cheirava a café passado no filtro, sem dor. E ainda não tinham colocado açúcar para aquela madrugada. Calcorreou pelo meio da rua, como não podia fazê-lo à hora infernal da dança dos carros e da sinfonia das buzinas e dores humanas. Pôs-se em bicos de pé para se equilibrar na linha amarela que dividia um e outro sentido da rua. Quase escorregara com a humidade da manhã que acorda contrariada. Equilibrou-se. Dobrou os joelhos para apertar o cordão da bota velha. Caiu. Molhou a entrega. Rasgou! Gelou de medo. Levantou-se. Dobrou-a! E deixou um pedaço de si, na boca daquele correio. E saiu, com os olhos humecidos da manhã que começava sem açúcar!

quinta-feira, dezembro 04, 2008