segunda-feira, dezembro 15, 2008

Baco de fim-de-semana

De.gustações!!!
Sábado em casa da Lu.Carol
Ficha Técnica
Vinícola Quinta Nova de Nossa Senhora Do Carmo
Marca/Linha Grainha
Uva Tinta Roriz / Touriga Franca
Safra 2005
País Portugal
Região Douro

QUALIDADE: Aloirado doce - Reserva Tawny
ORIGEM Portugal - Região Demarcada do Douro
SUB-REGIÃO Tabuaço; Ervedosa do Douro (Cima Corgo); Numão (Douro Superior).
CASTAS Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta
Barroca, Tinto Cão
IDADE DAS VINHAS 20-40 Anos
TIPO DE SOLO Xisto
ENVELHECIMENTO
Lotação de Vinhos do Porto seleccionados entre os melhores
de cada colheita, envelhecidos em casco de carvalho, cuja
média de idades é de 5/7 anos.
ENOLOGIA Jorge Manuel Pintão / Luís Rodrigues
NOTAS DE PROVA: COR ALOIRADO com tons acastanhados.
AROMA Com nuances de frutos secos, fumo e baunilha.
PALADAR Macio, com um final longo e persistente.

Domingo, em caso do António...

Rio Sol, Branco, 2006
Região: Vale do São Francisco, Brasil
Produtor Dão Sul/ViniBrasil
Classificação: Vinho Fino Branco Seco
Castas: Chenin Blanc, Moscato Canelli
Vinho brasileiro feito por portugueses. Suspeitíssima, eu, a enóloga é minha amiga!

Montado, 2006
Vinho Regional Alentejano
Castas: Alva, Tamarez, Rabo de Ovelha
Notas de Prova:
Cor: Amarelo com laivos esverdeados
Aroma: Lichias, nêspera, lima e ananás
Paladar: suave, frutado, e com maciez equilibrada
Nota: médio

Cabriz
Colheita Seleccionada Branco
2007
Região: Dão
Classificação: VQPRD/DOC Dão
Castas: Malvasia Fina, Cerceal, Bical, Encruzado

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Lista de natal

Chega esta época do ano e parece que algo acontece, realmente, na vida das pessoas. Uma série de manifestações esquisitas (a que já deveria estar habituada, porque o ritual repete-se) levam-me a pensar que, apesar de tudo, os consultórios psiquiátricos colectivos são, nesta altura, bem mais caros do que a terapia diária. Presume-se! É. E essa função é bem cumprida pelos shoppings e toda a espécie de lojas comerciais, que plasticamente usam, de orelha a orelha, o sorriso elástico dos empregados formatados para nos convencer a dedilhar os dígitos mágicos: c.r.é.d.i.t.o
Estranha e esquizofrénica palavra, porque esses mesmos empregados têm um ar, tudo menos, credível! Ahhhh!não gosto do Natal, particularmente, pela histeria coletiva. Mas gosto dos "sabores" do Natal e o que isso representa para mim. É a única época do ano em que - há dois anos – vou a Portugal. São 11 meses fora, e um mês para matar todas as saudades e renovar-me!Um mês chega, costumo dizer...embora, às vezes, queira voltar só um bocadinho às pequenas coisas que me deixam derretida pelas minhas pessoas...

Por isso, a minha lista de Natal, talvez seja a menos sofisticada do mundo. Mas é a que me vai dar o maior sorriso planetário, de orelha a orelha (quase com cara de ET.). A sensação mais esgotada de realmente achar que a vida vale a pena por isto...Coisa de emigrante, talvez!

lista de Natal- os milhares de abraços da família e a gritaria na véspera de natal;

- as primeiras palavras da Sara e da Beatriz;

- decantar o vinho com o pai;

- Rabanadas da minha mãe;

- e colo dos dois;

- deitar a cabeça no ombro do meu irmão enquanto a lareira crepita;

-as mil perguntas dos meus amigos até se habituarem de novo às minhas piadas de que só eu me rio (alerto: infelizmente não consegui mudar e os meus irmãos brasileiros riem-se mas não as entendem, tb. Mas são uns queridos, porque não me querem deixar ficar mal);

- o cheiro da terra molhada no jardim;

- dos cafés prolongados com os amigos;

- dos almoços em casa dos avós que insistem que estou muito "magrinha" (mera impressão estereotipada, porque como dizem as amigas "és uma falsa magra". ok!) e tenho de comer dois pratos de coelho estufado com arroz, seguido de queijo branco, chocolate, fruta, doce, vinho, doce e uma bagacinho para “compor”;

- os ciúmes e as reclamações dos amigos (estás sempre com a agenda preenchida, não vais ter tempo para mim? – não é bem assim, vcs é que trabalham demais);

- dormir no sofá (mania que desenvolvi no tempo das insónias);

- andar de metro, e ver afinal em que mudamos, nós portugueses, apercebendo-me do quão antropológica é a experiência;

- café, café, café, café, café...

- os jantares prolongados de peixe grelhado e “Planalto” ou “Muralhas”;

- as viagens de comboio;

- as caminhadas pelas ruas do Porto;

-do cheiro de Lisboa;

-ler um livro no café;

- das noitadas no Pipa Velha;

- dos regressos, das idas e vindas e dos afectos;

- do frio;

- do cheiro a chegar;


É! Chegamos a uma altura em que relativizamos o resto. Serenamos e aprendemos a perceber a vida é mais leve do que o peso lhe damos!

segunda-feira, dezembro 08, 2008



5 minutos de fama!

Não se pode dizer que as minhas amigas me tratem propriamente mal. "É brincadeira!" Vinho e Narguilé (será que é assim mesmo que se escreve?) à tarde e conduzir a TL delas ao fim da noite - nos meus 5 minutos de fama pelo desafio da Lu.
-ok, Van agora passamos a heitor. Vai dirige aí!
-ah, não.hoje não! é tarde e além disso a dor de barriga não deixa.
-esquece isso. vai troca comigo!
-Hã!
-Vai! (essa é da Carolina)... Uma diz mata, a outra esfola!
-É diferente! E o acelerador bem lá em baixo!
-Só dá um tempo! Vai!
- Ok!
-Deixa engrenar!
-Vamos!
-5 minutos depois estava como uma criança, a quem tiram um doce! Já chegamos?Espectacular! Um cheiro de TL! Vai Lu e Carol! Vai haver uma próxima na vossa Teresa Louca? Prometo fotos da verdadeira para breve!

fim-de-semana


V.1 Geleia de frutas vermelhas. Cereja, framboesa. Final de boca, delicioso! Ainda por cima premiado! Entendo melhor Baco quando o vinho escorrega. Sessões de domingo à tarde em casa da Lu e da Carolina!
V.2 Adega Maior, 2007. Branco...
Ananás, escorregadio!Pelo senhor dos cafés. Nabeiro. Alentejanos. Não encontrei a foto do branco!E não se queixem se estiver fora da linha! um ano a provar dos melhores vinhos deixa qualquer balança de TPM!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Entregou à hora certa. Sem atrasos, preguiças ou desculpas que justificassem um lento chegar do corpo ao tempo. E ainda as acácias não tinham acordado. Cheirava a café passado no filtro, sem dor. E ainda não tinham colocado açúcar para aquela madrugada. Calcorreou pelo meio da rua, como não podia fazê-lo à hora infernal da dança dos carros e da sinfonia das buzinas e dores humanas. Pôs-se em bicos de pé para se equilibrar na linha amarela que dividia um e outro sentido da rua. Quase escorregara com a humidade da manhã que acorda contrariada. Equilibrou-se. Dobrou os joelhos para apertar o cordão da bota velha. Caiu. Molhou a entrega. Rasgou! Gelou de medo. Levantou-se. Dobrou-a! E deixou um pedaço de si, na boca daquele correio. E saiu, com os olhos humecidos da manhã que começava sem açúcar!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

quarta-feira, dezembro 03, 2008

meu companheiro de metrÔ!!!

I don´t want to stay here, Eu quero voltar para a Bahia!



Versão original, num quase-video que não chega a sê-lo!beijocas

Para ver frame-a-frame Sampa



Amanhã (4), 19h30, inaugura Expo.São Paulo 300mm

São Paulo à lupa, pelas lentes de dissecadores de espaços urbanos e o olho clínico de um grande amigo meu: A. Cafcalas.
Para ver, devagarinho, nas entrelinhas, como a cidade se constrói e desconstrói pelo olhar e por fragmentos de imagens que, além de contarem histórias pessoais, avivam uma cidade fugaz e líquida como Sampa. Aqui, com cerca de 18 milhões de habitantes, os laços que se amarram são como cordas de roupa a secar: provisórias, esfiapadas, às vezes presas por molas que caem ou partem. Até (cor)romper!

São Paulo 300mm foi concebida para a Arco, Madrid 2008. Por cá, um "zoom in" feito pelo Caf, que revela uma outra São Paulo, a dele, a nossa, um pouco mais minha, a de milhões de pessoas que (sobre)vivem neste caos provisoriamente perene, ou às vezes lhe passam ao lado, de olhos fechados, viciados! Convergente/divergente com olhares que quase nunca chegam ao pormenor de uma lente fotográfica 300mm.
Valiosa pelo conceito, pela forma como foram construídas as imagens, a exposição constrói uma "arquitectura" da cidade- sentido lato. As histórias frame-a- frame, tela-a-tela.
Para um olhar mais atento, a expo é um zoom muito pessoal da cidade: De cima - com as fotos aéreas PB do Nelson Kon; até às vísceras invisíveis da cidade: com fotos sobre o trabalho do writer (grafiteiro) Zezão que "fuça" os esgotos a spray, com suaves azuis... Uma simbiose que se deve à curadoria, num ensaio único e bonito sobre uma cidade que também é a minha!

Serviço

São Paulo 300mm

De 04/12/2008 a 21/02/2009
Com curadoria dos arquitetos Ariadna Cantis (Madri) e Alexandre Cafcalas (São Paulo), é uma produção do Miniserio de Vivienda de España para a feira de arte ARCO 2008 de Madri, que teve o Brasil como país convidado.
Atividades
Mesa-Redonda: São Paulo 300mm.
Ficha técnica
Obra: 28 Fotografías
Autor: Nelson Kon, Andrés Jaque Arquitectos, Bob Wolfenson, Tuca Vieira, Filipe Berndt, Ignacio Aronovich, L. Margotto, M. Ursini y S. Salles

Horário de visita
Segundas, das 8h às 20h, terças a sextas das 8h às 21h. Sábado, das 9h às 15h

Lugar
Instituto Cervantes
Av. Paulista, 2439 - planta baja
01311-300 São Paulo
(BRASIL)

Para saber mais ir a Instituto Cervantes, SP

quinta-feira, novembro 27, 2008

domingo, novembro 23, 2008

Os dias em que fui Penépole Cruz, Johanssen e Isolda

Esta semana fui Penélope Cruz e Scarlet Johanssen, dormi com o Javier Bardem, para compensar algum dissabor de Barcelona - várias vezes - e ainda bebi vinho com o Tristão à beira de um ataque de nervos por causa da Isolda- também era eu, acho! Esta semana fui assim, uma quebra-corações. Vou-me embriagar de ficção nos próximos tempos. Estou a precisar de uma overdose dela






sábado, novembro 22, 2008

Dias Plásticos: ingredientes dia "fast-food"

Acordar às 12h
Levantar da cama (20 m)
Banho (10 m)
Sumo de pêssego (7 segundos)
Papaia (2 m)
Ler (2h)
Planos para sair (30 m)
Agenda cultural (10m)
Vontade de sair (10 s)
Chuva (2h)
Internet (2h)
chat (1h)
Café (10m)
Internet(1h)
chat (2h)
Esperança que o dilúvio se vá (10s)
Trovejar (3 s)
Internet (1h)
Chat (20m)
Internet (30m)
chat (10m)
Preparar Sopa de mandioca (5 m)
Tomá-la (10m)
Perder tempo a colocar este post (5m)
Filme: (2h)
Sono de princesa e ainda com o dilúvio lá fora (????)

Para ler, com a boca


Do Desejo; e Da Noite
Hilda Hilst



E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
(Do Desejo - 1992)

* * *

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.
Do Desejo - 1992)

* * *

Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
Da Noite - 1992)

Sem prozac nem xanax, olhos nos olhos com o Planeta


Um link que, além de importante, alerta - a brincar - o quão irresponsáveis somos. A saúde do planeta há muito está debilitada. Preocupa-me não a convalescença, mas o processo degenerativo, ainda demasiado silencioso. Estamos a ficar sem fôlego.Já pensaste no que andas a fazer por ele?

terça-feira, novembro 18, 2008

Itinerários

Os classificados do jornal anunciam que homem branco, 38 anos, chamado Kliforf Bertz desapareceu na madrugada de anteontem. Vestia calças castanhas, vincadas, gastas, puídas, cunhadas com a marca “Dos Hermanos”; camisa axadrezada, estilo toalha de mesa italiana- vermelha e branca. Foi visto pela última vez na rua Karl Marx,
às 23h09m, enquanto tentava atravessar a rua. Na altura, o rosto tinha uma barba rala de três dias, usava sapatilhas estilos anos 80 e corria “como se estivesse a fugir de alguém”. As informações foram apuradas pela polícia, a partir do relato de um mendigo que dorme no Jardim da praça Lenine, no cruzamento entre as ruas Karl Marx e Pedro II. O mendigo – mais tarde apuraram qual a chapa de cidadão nacional, embora o sujeito não portasse bilhete de identidade – gesticulava sempre que falava, como se estivesse a espirrar tinta com as mãos para a anarquia branca de uma tela virgem. As autoridades que levantaram diligentemente a informação – apenas falhando nas vírgulas e na ortografia – tiveram de acreditar, temporariamente, na palavra do homem, que se auto-intitulava Picasso. “É nome, não apelido. Minha mãe achou que era aberração da natureza, disforme e parido sem ser convidado pelas graças da Humanidade. Alguém lhe falou do pintor. E ficou Picasso, simplesmente. Mas com “kapa”: Pikasso! Sou pastor de rua. Ajudo as pessoas a encontrar o caminho para casa".

sexta-feira, novembro 14, 2008

Viagem de fim-de-semana



Esta será a minha viagem no fim-de-semana. Depois conto-vos como foi. É bom ter um lançamento em tempo real deste lado do oceano. Caso contrário teria de pedir que mo enviassem! Espero que a viagem dure muito. Até encontrar, onde me esperam!

sexta-feira, novembro 07, 2008

Geração Rasca #2

Iam para a cama com o "Vitinho", cresceram a ver MacGyver, um tal de "Duarte e Companhia" e são do tempo em que K7 era sinónimo de música. Um certo jornalista e uma certa ministra da Educação traçaram-lhes o destino: "Geração Rasca". Nunca mais foram os mesmos. Atravessaram oceanos, sairam de mochila às costas para galgar uma certa ideia de cidadania. Estão aí, espalhados, a viver sonhos e a fazer do mundo um laboratório. A "Crónica Luna Samba" anda à procura desses portugueses e, quinzenalmente, publicar aqui neste blog o que a geração rasca anda a fazer. Segue a segunda dose!

[-Rum, bulas médicas e o charuto ali tão perto. Um quase pirata das Caraíbas, a resgatar o sonho dos trópicos-]


Faz do trabalho um destino de férias e diz que os melhores remédios para a saudade são o samba, merengue, Batxata e... caipirinhas. Às vésperas de embarcar, não sabia bem o que, afinal, ia fazer no país da "cidade perdida" do actor/realizador Andy Garcia. “No hay problema"! A vida é como um medicamento: ou tomas logo, ou fica fora de prazo. Tomou dose dupla. "Es usted que sabe!"

[Zoom in] Miguel Nogueira, 27, Lisboa, São Sebastião da Pedreira

[Fermento Royal] Instituto Superior de Economia e Gestão – Gestão, Lisboa

[Fuso horário] Santo Domingo, República Dominicana, Controller na Sanofi-Aventis

[Mapa Mundo] Passei por São Paulo: aprendi que, quanto mais longe estás de casa, mais orgulho tens do país onde nasceste, ainda que com a distância e através de um simples exercício de comparação consigas objectivamente (o mais possível) fazer uma análise dos pontos mais negativos que assolam Portugal...

[KIT S.O.S] A maior aventura deve ser esta: país "desconhecido", onde todos andam armados e frequentemente embriagados; factor da língua, e um país com uma cultura marcada fortemente pelo "Império" americano, com traços de orgulho nacional

[KIT Costura] Saí de Portugal porque gosto de desafios. Quis enriquecer o meu currículo e ganhar experiência num sector altamente atraente para mim e, claro, procurava melhores condições financeiras.

[Q.I] Aproveitar a proximidade de Cuba, México, EUA e viajar, viajar, viajar... Tentar repensar boas oportunidades de emprego, negócio...

[S.a.u.d.a.d.e.] Família, amigos~; da nossa gastronomia, vinhos portugueses, café delta, Bairro Alto, Super Bock, Acesso à cultura internacional: concertos, teatro, cinema.

[Oxigenar os neurônios] Conhecer melhor que povo é este, circulando por todos os meandros e classes. Ler em espanhol, ver filmes com legendas em espanhol. Sair e ficar só a observar as pessoas e seus rituais.

[TPC] ACABAR com as "cunhas", os "jobs for the boys". Implementar uma política de gestão no governo, tentado gerir o país como se de uma empresa se tratasse... Retirar os "sanguessugas" do governo. Implementar uma campanha de "Orgulho de ser português", "orgulho do que é português"...

[Prémio Nobel da Paz]
O Microcrédito de Muhammad Yunus, fundador e presidente do Grameen Bank. É para mim uma das melhores ideias do mundo contemporâneo e apenas possível para alguém puramente benévolo. Outra ideia: reduzir a escalada de armamento, através de diplomacia. Apenas através da diplomacia se conseguem obter resultados. Mais: investir fortemente em soluções ecológicas de transporte e de energia.

[Ger.ação Raz/ca...] Não existe. O que existe são pessoas que não marcam nada nem ninguém nas suas vidas. Que vivem conformadas com o que os media e os governos dizem, nomeadamente a ideia de que não podem fazer nada relativamente ao poder (podre) instituído, às mentalidades retrógradas.

Gostaria que os portugueses que pudessem ter a oportunidade de viver uma experiência no estrangeiro a aproveitassem. Programas como DaVinci, Erasmus, InovContacto, Civiweb,etc... são para se aproveitar, expandir a mente e voltar eventualmente a Portugal com mais conhecimento, com novas maneiras de pensar, de fazer, de produzir, de inovar.

Next Station:"Próxima Estação"

Comecei a minha fase “próxima estação”. Depois da fase “gasta solas”, da fase “catraca” e da temporada “quase-triatlo” (bike, penantes) – e esta ainda está na lista quando não chove- entra agora, desde a passada segunda-feira (3), a época "tuuu-alarme-abre-porta-fecha-porta-plick-automático". Levantei-me e segui os meus passos até ao submundo dos transportes colectivos da capital paulista (pormenor: começando a fase varanda, também, com vasos e árvores debruçadas sobre o parapeito; fase faiança portuguesa, com pratos quase pintados de fresco na parede; fase kitsch com uma cozinha amarela completamente pop e fogão anos 70; bom enfim: fase com ar de ano novo, mas desta vez sem ter engolido 12 uvas passas).
É. Depois de 2006 ter sido o ano a pé, 2007 e 2008 não se fizeram rogados à familaridade dos “pontos de ônibus”, seguido do “roça-roça-costas-com-costas”, antes e depois da catraca (ah” os torniquetes!). Fim de 2008 já quase que expulsa os últimos meses, em jeito de ensaio para a mobilidade de 2009 que, sim, é a fase “próxima estação” – acho que mãe das vozes dos actuais GPS (vire à direita; chegamos ao destino). Ok: agora ando de metro (oops metrô, tá!), que aliás, sempre foi o tal “fetiche” que desde o início andava na minha cabeça: “Em Sampa tem de rolar metrô - ou melhor eu tinha de rolar no metrô, todos os dias”. Fetiche mesmo: acho piada a circular nesta geringonça. No centro da terra? Próxima estação: ”Consolação” – não chego ao Paraíso, mas tudo bem, o metro, todos os dias, vai a caminho dele. Pode ser que lá chegue, assim devagarinho, um dia, quem sabe ao céu, até. Pois é que depois destas experiências antropológicas com transportes colectivos em São Paulo (quase pós-doutoramento, heim), já só falta mesmo a minha fase hélice. Para quando o helicóptero?

sábado, novembro 01, 2008

Oxidar

-Sei lá, será que oxida?
-Assim, até enferrujar? Ou apenas avinagra?
-Até pode ser, mas é estranho!
-É sempre estranho, mas até pode ser um lugar inabitável, só isso!
-Que o amor oxide?
-Não é de ferro, sabemos, mas há alguma coisa que o faz oxidar.
-Cristal. Talvez cristal. Refractado. Reluz, quase perfeito, mas inútil.
-Ás vezes é quartzo - move sempre nosso tempo, explora segundos de angústia, enjaulados numa eternidade, e ingrato no roubo do tempo.
-E consome como rastilho a nossa leveza. Dá-nos olhos com rugas. Olheiras.
-Mas oxidar, assim?
-É, cristal!
-Só quando se esmiuça em cacos e vidrinhos reluzentes é que percebes o colorido escacado.
-Parece sabes. Que o amor oxida. De todas as formas e matérias. É que tudo se transforma em pó e vai com o vento!

quinta-feira, outubro 30, 2008

Como o blog já se tornou ecléctico, mais um pouco de mundo com sotaque francês não faz mal a niguém. Fica aqui um pouco de Emilie Simon.

Prémio Portugal Telecom - Antonio, Filho Eterno, Eu hei-de amar uma pedra

Fotografia: Site pessoal Cristovão Tezza

António (Beatriz Bracher); Filho Eterno (Cristovão Tezza); e Eu hei-de amar uma pedra (António Lobo Antunes) são os grandes vencedores do Prémio de Literatura Portugal Telecom...

Nunca pensei nisso, mas o Lobo Antunes pensou, aliás o António, não o da Beatriz Bracher, mas o nosso, que equaciona um dia amar uma pedra, enquanto ensaia ser um Filho Eterno, esse sim do Cristóvão Tezza, o vencedor da edição do Prémio de Literatura da Portugal Telecom, anunciado ontem, 29, na Casa Fasano, em São Paulo.

Critovão Tezza conquistou o júri do Prémio de Literatura Portugal Telecom 2008 com um romance sobre a relação pai-filho (com síndrome de Down), nos anos 80: "Filho Eterno", editado pela Record. O catarinense está em alta na cena da literatura brasileira, porque em jeito de "dejá vù" recebe hoje, pela mesma obra, o Prémio Jabuti (espécie de óscar da literatura brasileira) depois de ter sido agraciado em 2007 pela Associação Paulista de Críticos de Arte de SP em 2007 na categoria literatura.

O segundo prémio foi para Beatriz Bracher (António) e António Lobo Antunes (Eu hei-de amar uma pedra).

Para saber mais saltar para aqui

terça-feira, outubro 28, 2008

Vazio autista. Uma bienal vestida de farsa!

Uma Bienal de Arte que se quer costurada pelo vazio (mais uma das invenções pós-modernas= ausência), para pedir ao público e artistas que descosam os debruados do tecido urbano para que se pense, afinal, que agulhas andaram por ali a coser uma certa ideia de arte, não se pode dar ao luxo de censurar uma outra “arte” urbana (periférica?), nascida desde logo pelos pincéis da crítica social. É anti-tudo e, sobretudo, é a prova manifesta que a Bienal de Arte de São Paulo é uma farsa. No andar “vazio” que a curadoria da mostra deixou “propositadamente” para “fazer pensar” acordou esta manhã “pichado” por um grupo de 40 pessoas, agora chamadas de “vândalas” e talvez até condenadas a três anos de prisão. É. Em vez do feito ser (re)aproveitado e “pensado” como resposta (periférica?) ao vazio da Bienal (“nestas-paredes-eu-me-vinguei”) a organização entrou em histeria e apagou tudo com tinta higienicamente branca (como a arte de elite - e como destesto esta palavra) com os nervos à flor da pele! É o vazio que não é nosso e é uma questão de ponto de vista. O vazio não foi feito para fazer pensar sob a óptica dos outros. Aliás, o vazio é isso, não existe. Temos horror ao vazio dos outros. Sufocamos, irritamo-nos e precisamos voltar ao nosso vazio, higienicamente programado. É, os pichadores têm razão: “Abaixo a ditadura” [e todas as farsas intelectualmente fabricadas]. Este ano não vou à Bienal. Ficou clara a posição desta farsa! Prefiro a minha visão periférica a alinhar com uma certa ideia de arte, que repito, é “higienicamente fabricada” e condenada ao suicídio!

domingo, outubro 26, 2008

Ai...o samba!

O Verão chegou a Sampa...e começa saber a este ritmo!

sexta-feira, outubro 24, 2008

Geração Raz.ca #1

Iam para a cama com o "Vitinho", cresceram a ver MacGyver, um tal de "Duarte e Companhia" e são do tempo em que K7 era sinónimo de música. Um certo jornalista e uma certa ministra da Educação traçaram-lhes o destino: "Geração Rasca". Nunca mais foram os mesmos. Atravessaram oceanos, sairam de mochila às costas para galgar uma certa ideia de cidadania. Estão aí, espalhados, a viver sonhos e a fazer do mundo um laboratório. A "Crónica Luna Samba" anda à procura desses portugueses e, quinzenalmente, vai publicar aqui neste blog o que a geração rasca anda a fazer. São os novos emigrantes de um certo Portugal. Cuidado: Estas linhas podem ser impróprias para consumo! Censuramos o lápis azul!

[-Memórias de elefantes, livros e um ex-camionista que nunca chegou a sê-lo, perdido em Moçambique -]



Quer parir uma vida sem destino. Mas o azimute anda a apontar para Oriente. Em miúdo queria ser camionista, mas os testes vocacionais davam-lhe a sachola como certa. O "heavy metal" ajuda-o a amenizar o stress. E, agora, anda no meio dos elefantes a vender livros. O maior acaso da sua vida: não rodar a estrada ao volante de um pesado.

[Zoom in] Nuno Vieira, 28 anos, tripeiro, sonhador, criativo
[Fermento Royal] Administração e Gestão de Empresas - Univ. Católica
[Fuso horário] Maputo, Moçambique. Director- adjunto da Plural Editores, grupo Porto Editora
[Mapa Mundo] Um pouco mais mexicano, um pouco mais belga Lá aprendi a importância da interculturalidade e o poder do lobbying. Nesta nova experiência já aprendi que ainda tenho muito a aprender....
[Kit S.O.S] Larguei um emprego por um estágio internacional sem destino
[Kit de Costura] Saí de Portugal em busca de oportunidades de carreira e de intercâmbio cultural
[Q.I.] Agora estou a 200% neste projecto. Daqui a uns anos, quem sabe, um MBA
[S.a.u.d.a.d.e.s] De ter uma "casa", da família, dos amigos e da "comida da mãezinha".
[Oxigenar os neurônios] 30 minutos de bicicleta às 6h30, e depois quando o stress aperta, o heavy metal ajuda a controlar as emoções
[T.P.C.] Apostar definitivamente na Educação, na Tecnologia e nos jovens.
[Prescrição Médica] Que somos tão ou mais capazes que os outros.
[Ger.ação Raz/ca...] é ter que viver com mil euros toda a vida

Terra em transe, terra de grilos

Texto e Fotos por Vanessa Rodrigues, no Mato Grosso do Sul


Ela não sabe onde pôr as mãos. Inclina a cabeça como se verga para o homem, que não é o dela, mas gostaria. Pára a cada sulco na terra. Inchada, suada. Sobrolho franzido. Vermelha como a ardência que se cola às mãos que não sabe o que lhes fazer. Unhas encardidas do solo azedo. Fértil. Respira ofegante, mas esconde em soluços. Encolhe-se e a pele minga, as rugas secam. Não sabe o que são previdência, salário, direitos, Constituição, estado, saúde. E longe está de precisar de um acordo ortográfico. As únicas ortografias que conhece são as da terra. Não reclama dos erros das estações. Da chuva que alaga as plantações. Do sol que queima a pele e o ventre do campo. Só vive dele, com sapatos gastos que calça de sol a sol, a única luz que conhecia até há um ano.

Glicínia Trindade. São as únicas palavras que murmura com a boca enrolada, como se o som saísse abafado por uma almofada. Sorri com os olhos. Basta-lhe. O resto são grunhidos que substituem as anuências ou as negações monossilábicas das perguntas. Não lhe façam muitas. Não está habituada a falar, mas recebe-nos com tudo para dar, menos a terra.


Justino lava os pepinos. Verdes, divorciados da terra. Arrancados com as mãos, onde a sachola não chega. Não há máquinas, tractores. Os adubos são bosta de vaca. O chão está alagado das últimas enxurradas. E a luz veio, pela primeira vez, o ano passado, no pacote do progama governamental brasileiro “Luz para Todos”, prometendo chegar a esses redutos longínquos e rurais. Ela veio como um vício para prolongar o dia, que se fazia de sol, velas e lanternas. Agora há fogão, lâmpadas, televisão. É lá que passam Os Simpsons. Antes era a cachaça e os cigarros. Glicínia pede um, dois, três a T. Justino arranca-os da mão dela. Vai guardar, diz. Tudo guarda, até ela. Se votasse seria num "homem-justo", quase como seu nome!


Chega o jipe desconfiado. Pára do lado de fora, em frente à cancela de madeira. Observam se avançam, se ficam, ou se se põem a monte. Justino dá o sinal “livre-de-perigo”. Justino sai. Há negociata. Umas terras quaisquer que têm de ser apropriadas. Os documentos estão preparados. A grilagem está garantida. Os papéis vão ser forjados. Tempos depois os grilos tratam do resto no fundo de uma gaveta e é como se a herança sempre levasse o nome de alguém naquelas propriedades. Muito, muito dinheiro, promete o homem-jipe a Justino. Assoberbado de euforia, ansioso por se pôr a fazer contas, num jeito nervosinho que denuncia que a negociata tem algo mais. Bonacheirão, pele suja, seboso, barriga mole gelatina e uma cuspidela para o chão promíscuo com a lama e os restos fecais bovinos. O homem hesitante “entro-fico” ri-se em tom de “não-te-esqueças-de-pagar-o-que-deves-senão-algo-pode-acontecer”. Justino acanha-se. Verga-se como Glicínia para ele. Apertam a mão. Fecha a cancela. Conta que é terra de ninguém. Que por isso faz um favor ao governo, o mesmo que Glicínia não conhece, não sabe, não tem ideia do que seja. Ela voltou para a ardência das mãos. Ele corta as couves. Engole a cachaça. E daqui a pouco é noite. Os Simpsons vão começar!

Coincidências e o mundo é assim mesmo pequenino!

Em Sampa conheci a T. que é irmã de C., minha colega da adolescência e é amiga de D. meu amigo, que não vejo há anos, mas está no Rio. Por sua vez T. que eu não conhecia até há 5 dias, pelos vistos conhece J., também meu amigo; conhece C., minha amiga; conhece P., meu amigo; conhece A. que simplesmente conheço; e mais uma infinidade de personagens que eu conheço e ela conhece, embora nunca nos tivéssemos cruzado até então. Ok. T. é do Porto, mas caramba: assim, bem vistas as coisas, Sampa virou a cidade tripeira numa questão de segundos e, portanto, uma aldeiazinha, com apenas 18 milhões de habitantes. Pergunto-me então quantas T´s da vida não estarão espalhadas por aqui que eu ainda não conheci, mas que conhecem X, Y, Z….É, somos assim pequenininhos!

Dificuldades em...

passar o dia sem tagarelar uma musiquinha (sem comentários à falta de dotes vocais);
passar a manhã sem a dose de cafeína da super cafeteira made in Portugal;
andar de chinelos - pé nu é sempre melhor que pé encafuado;
passar a semana sem ir ao cinema (está crónico o problema);
chegar a casa e ter eco (ahhh, onde já ouvi isto!);
ler as notícias na tela de um computador;
beber vinho num copo de plástico;
sair de casa sem ler o jornal;
começar o dia sem caminhada;
levar guarda-chuva;
ir dormir sem ler;
viver sem árvores;
andar de relógio;
viver sem verde;
deitar-me cedo;
sem sol;
sem mar;
Houston we have a problem!

quarta-feira, outubro 22, 2008

Genial!


Street Art nos EUA inspira-se em Sarah Palin, a candidata republicana às presidenciais, a reboque do marido John MCcain. Estes posters são geniais. E a senhora, realmente, parece um personagem saído de um desenho animado (quadrinhos vá, para não desiludir os meus irmãos brasileiros que sempre me chateiam com estas diferenças de linguarejar...)

segunda-feira, outubro 20, 2008

Benzida

Benze-se de costas para a igreja e de frente para a porta de saída do autocarro. Encolhe as mãos como minguassem num mirrar precoce antes que as articulações peçam a reforma. Ainda ali está, embora desejasse que aqueles instantes lhe sugassem o refúgio de uma involução momentânea para ganhar menos páginas folheadas que a vida lhe fez com as mãos lambidas de cuspe. Mão no varão amarelo entorpecente. E com aquele cabelo encaracolado que diz tudo por ela de esguelha. Disfarça o gesto numa vergonha incontida que lhe apressa os movimentos, como se fosse mais grave não o fazer à cobrança de indulgências divinas pelo cumprimento desse pecado. O mesmo das mulheres de barriga à mostra, que despudoradamente pintaram o cabelo de loiro, as unhas, o rosto, os lábios, os cílios, numa rigidez fingida que as torna gémeas da vida e do pecado que nunca existiu.

conversa de farmácia

- E não quer levar mais nada? Estamos com promoção de kits para criança, homem... (Silêncio absurso)... Ah, mas pode levar alguma coisa para você também!

domingo, outubro 19, 2008


um pedaço de vida é a chuva a cair lá fora, as gotas a roçar a cara, ou os pés molhados de uma longa caminhada. é, como esta vida que adoro!

sexta-feira, outubro 17, 2008

Mostra Internacional de Cinema agita salas em São Paulo


32ª edição do panorama de cinema internacional que começa nessa sexta, 17, traz novo filme de diretor brasileiro José Padilha e homenageia o diretor sueco Ingmar Bergman. São mais de 400 filmes para a grande tela, por isso se prepare: a insônia vai até dia 30 de outubro


Talvez seja a primeira vez que o revolucionário Che Guevara e o ator Marlon Brando se encontram. Dizem até que se vão entender muito bem e que falam a mesma linguagem: a do cinema. A introdução deste texto não tem mistério: é que a partir de sexta, 17, a 32ª edição da Mostra Internacional de Cinema, que toma conta da cidade paulista, promete balançar o cenário do cinema nacional, trazendo a vanguarda do cinema para as salas da sétima arte.

Ao todo, 454 filmes de 75 países vão rechear a grande tela, trazendo a São Paulo obras para todos os gostos de cineastas consagrados, tanto na seção Perspectiva Internacional, como em retrospectivas e apresentações especiais.

Uma versão restaurada de “O Poderoso Chefão”, estrelado pelo ator italiano Marlon Brando e a longa de Steven Soderbergh, “Che”, com representação de Benício Del Toro são algumas das novidades e, para condimentar o cardápio cinematográfico, a programação inclui ainda debates, palestras, exposições, shows e uma grande lista de convidados internacionais em São Paulo.

Este ano a mostra preparou surpresas reforçadas, dando carta branca ao diretor alemão Wim Wenders que preparou uma seleção de filmes. Mas o grande destaque vai mesmo para Ingmar Bergman, o diretor sueco homenageado nesta edição.

O Brasil entra na programação com 55 filmes de produção nacional e mais oito de co-produção com outros países. Na lista estão filmes como “A Festa da Menina Morta” com realização do ator Matheus Nachtergaele; e o documentário sobre a fome: “Garapa” de José Padilha, realizador de “Ônibus 174” e do polêmico “Tropa de Elite”.

Portugal entra também na lista com a vanguarda cinematográfica do país, mostrando sangue novo no cenário com filmes como o “O Julgamento” de Lionel Vieira sobre a ditadura salazarista; e “Ruas da Amargura” de Rui Simões que mergulha no universo das carências afetivas e financeiras de quem mora nas ruas.

P.S. Português do Brasil, naturalmente!

Sinal de alerta

Terapia dos factos- desconfio que com sinal vermelho no mundo da autora deste blog.

-durmo pouco;
-há mais de dois meses que não escrevo aos amigos (estou perdoada?);
-os telefonemas para casa já estão no limiar de 10 em 10 dias;
-há mais de duas semanas que não "bato-papo" com meu irmão;
-não fotografo;
-escrevo pouco;
-mal saio de casa à noite;
-exercício: hã? O que é isso?
-não "skypo";
-só como alimentos SOS (entenda-se sandes; sandwiches;pão-com-qualquer-coisa; qualquer-coisa-com-pão;
-não "viajo na maionese", como dizem os irmãos brasileiros (=devaneios);
-não saio de São Paulo há demasiado tempo que já nem me lembro da última vez;
-fim-de-semana: hã?;
-não tenho tempo para jornais; os jornais não têm tempo para mim;
-cor de pele: branco mais branco não há;
-o espelho reclama a triplicar: "Ih para seres branca de neve não te basta a cor,vais ter de galgar muito miúda; entraste nalgum concurso de bruxas pós-modernas?" (Black out: não respondo a provocações)

P.S. Promete entrar em (auto)reabilitação no próximo mês, assim que encontrar casa nova. Porque já nem eu me aguento!

quarta-feira, outubro 15, 2008

Pedem demasiado

Que seja uma caixa sem fundo, e um baú de memórias! Que seja uma música, um balde de água fria, um vento quente em dias de desarmonia. Que seja um delicioso brownie, uma orquídea depois da rosa, com e sem espinhos, e às vezes até erva daninha. Talvez demasiado. Pedem-me uma nota de jazz para que desafine, uma crónica de costumes para logo engrenar num conto, depois outro. Pedem-me que seja uma história e o desalento. O alento e a sofreguidão. Pedem que seja uma letra, e sempre prefiro o alfabeto. Que seja uma almofada de penas ou um delicioso café acabado de fazer. Pedem-me demasiado! Que seja a inveja e a despreze. Que seja uma tecla; uma borracha implacável; uma ponta fina por onde escorre a tinta permanente, que goteja em vão, sem nunca fixar. Que seja só e cheia de gente. Um robô inativo obediente. Um rebelde em silêncio. Um copo vazio. Transbordante! O fio de navalha. O fio. A navalha! Moedas miúdas. Cheques impagáveis. Um corpo nu enrolado na areia. Um diamante, quando prefiro os seixos. Que seja um fósforo, um lume ardente queimado a cubos de gelo. Talvez me peçam demasiado para uma vida só!

segunda-feira, outubro 13, 2008

Esquinas

A esta hora há esquinas que murmuram impropérios contra aqueles que nunca por lá passaram. Se é inveja ou rancor não se sabe. Apenas que o ar é seco, pesado: rasga o corpo e o espírito silenciosamente. Rouba aos homens doses de oxigênio irreparáveis. Mas esquinas sem ar são sempre um mal menor numa cidade de rotundas, profundamente sem fôlego crítico. Ah, é: já passou? Sim: esquinas são bifurcações de ruptura com o que está atrás. Acreditam que quem por lá não passa, não conhece o mundo. Quem nunca passará é como se nunca vivesse. E o mundo, alegam, passa por ali, escrupulosamente. Por entre poças mal-cheirosas, entulho órfão, forçado à orgia aromática “qual-o-mais-fedorento”; plásticos, papel azedo, de aroma ácido, enrugado, molhado, salpicado de mijo. Quantas vezes o mundo não deixou de o ser – porque os homens nunca lá passaram. E os que passam têm de voltar atrás porque as esquinas nunca são iguais à primeira vez.

sábado, outubro 11, 2008

Inutilidades

Sim, o Brasil também mostra sinais de cedência à crise:

-Nas últimas semanas, na minha saga de procura de apartamento abundam as placas de "Vende-se", em vez das que procuro: "Aluga-se";

-As revistas de "garotas peladas" estão mesmo ao lado da Newsweek, Time, Veja, Época, Isto é, Você SA, Exame... recheadas de letras com "silicone": "Saiba tudo sobre a crise" (Ou quem sabe "Em tempos de crise relaxe e goze";

-Os chiques invadiram os botecos à hora de almoço com seu Visa Vale Refeição;

-A cerveja invadiu o horário de almoço nas zonas "nobres";

-As lojas estão em liquidação há dois meses;

-Esta semana fui a uma festa VIP da Revista Gula e roubaram-me o guarda-chuva;
Mais da Revista Gula:
a)"faltou comida para saciar a fome da fogueira das vaidades;
b)"a nossa boleia deixou-nos a meio do caminho e antes passou no "MacDonald's";

-Os líderes políticos só têm poupado nos discursos com palavras higiénicas, parecidas com a literatura de casa-de-banho: "Precisamos de uma resposta séria e coordenada do G7 para resolver o problema"; "Precisamos agir rápido"; "Temos de nos organizar para dar uma resposta coordenada à crise"; Ainda ninguém percebeu que eles não têm a mínima ideia sobre o que fazer? Por que é que a imprensa continua a citar estas frases cacofónicas?-Uma vez regalia, sempre regalia: não se pode "poupar" na política;

-Enquanto isso temos o samba e a terapia (ah, não vos disse: 65% da população de São Paulo faz terapia há anos - diga-se de passagem que não adianta de nada, são todos uns neuróticos; excessivamente superficiais, "higiénicos" e paranóicos);

Minha teoria sobre a crise: corrupção, corrupção,corrupção! Ah! e quem os controla: corupção-corrupção;

Apontamento: Pelo menos a crise meteorológica parou por aqui. Vou sair e aproveitar o lindo dia de sol lá fora, depois de duas semanas de chuva e frio!Crise? Sorry I didn't quite follow!

quinta-feira, outubro 09, 2008

Blind(sad)ness


Tarefa difícil esta. Confesso que estava com medo!Cobardia, talvez! Cheguei mesmo a evitar chegar a este ponto. Recusei vários convites. Adiei. Adiei! Até porque o peso da responsabilidade tornara-se já um fardo. Até que ganhei coragem… Li o livro há demasiado tempo, que pensava até que nem me lembrava de cada página. De cada palavra que me esventrara o romantismo. Assim: "pah"- choque. Até que pensei: vá este homem é genial! Mas, enfim! Algum dia teria de ser. Li o livro! Entrevistei o realizador… Quase que fiz parte do processo de viver a agonia da montagem! Tantas voltas à cabeça que aquele outro homem deu para agradar o autor do livro. Ele até chorou! O que significava aquilo? Não queria desiludir. Lidamos mal com a desilusão. A crítica poderia (é ?) ser visceral. Mortificadora! Mas, sim! Tive de tomar coragem e ir ver “Blindness” de Fernando Meirelles, que estreou há demasiado tempo no Brasil para me lamentar que, afinal, sou das únicas que ainda não foi ver! Ontem lá empurrei a minha carcaça. Comprei bilhete e "pow"! Lá estava eu e mais um casal a assistir ao filme! A sala ecoava de vazio. Sinal vermelho. Verde. E, depois, assim de repente fiquei cega… Não pensei que me atirasse assim para o abismo do livro novamente, fazendo recordar cada pedaço que tinha ficado na minha cegueira. Ou lucidez, seja lá o que isso significa. Depois pensei: este homem é genial. Quero lá saber de quem não gosta. A verdade não é para todos. Não estamos preparados! Muito menos as metáforas. Que homem se lembraria do verniz como sinal de luxúria e degredo humano? Ou de homicídio como recuperação da dignidade? Ou de violação como sinónimo de regeneração? Ou de cegueira como diálogo político? Ou de incapacidade de ver como uma possibilidade para reaprender a ver? Pensei de novo: é, sim. O "meu" Saramago é genial. Ele não me conhece, mas é como se já estivesse demasiado aqui. Demasiado mundo. Demasido vida. Ou demasiado inconveniente para que o aceitemos.
Mergulhei em queda livre. Ninguém estava lá para me segurar. Mas a cegueira agarrou-me até ao fim! E este mundo - que é meu - estava lá. FIM! Saí para o mundo. Percebi que o filme não tinha acabado. Tinha apenas começado, numa espécie de dejá vu revisitado!

sábado, outubro 04, 2008

OTTO, Bob



Foi amor à primeira vista. Vi este senhor há três meses no Studio SP, em São Paulo. Desde então ando enrolada com ele. Acompanha-me para todo o lado: cama, cozinha, rua, banho... Com a música entenda-se. Porque sugar a música é algo como sorver um pouco desta maluqueira bem feita!Há que ler nas entrelinhas, sempre!Porque o resto toda gente vê!

Acrónimos ininteligíveis

Mar, suar
tocar o pano, depois dele cair
ir...deixar...ar
rarear, suada vida
ida...
Malemolência de mentira
ira...
esgalhar o ventre em silêncio
irredento,
acasos esventrados
suados,
gato livre,
em queda até bastar.
7 vidas, suadas, esventradas sem um mio...

sexta-feira, outubro 03, 2008

Somos comedidamente ingénuos para o mundo que aí vem... Se vier que se deixe espraiar numa bela esplanada inútil, como todas as esplanadas da vida: a ver a vida passar, por perdidas revoltas que vão carcomendo cá dentro, lentamente, até à hora morta do décimo terceiro tempo. O que não vemos e está sempre diante de nós. Aquele mesmo do lapso dos outros. Porque quando os deixamos entranhar-se na nossa memória, já deixamos de ser.

terça-feira, setembro 30, 2008

Conversa de loucos (eu ???)

-Vim doar dois livros, pode ser?
-Livros são sempre pertinentes…
- Ok, então é só deixar….
- O nosso sistema ainda não está actualizado.
- Então…Não posso deixar os livros?
- Poder até pode, mas as políticas corporativas ainda não foram aprovadas e o nosso sistema ainda não está disponível, mas qualquer pessoa pode vir aqui e requisitar.
-Nesse caso vou deixar os livros.
-Seria melhor se passasse aqui amanhã para os deixar novamente, talvez tenha uma posição.
Enquanto isso inclino-me para pegar, novamente: “OS LIVROS”. Mas a senhora puxa-os repentinamente para debaixo de uma resma de papéis perdidos. Olha-me esbugalhadamente.
-Mas quer, ou não, que deixe os livros? Não estou a perceber!
- Sabe o nosso sistema permite pesquisar quaisquer livros do acervo, mas ele ainda não está disponível para todos os usuários.
-Então, ok, passo na próxima semana quando já tiver uma actualização.
- Vai demorar! O sistema ainda não vai estar disponível
Rendida, impaciente, e pronta a carregar os livros de volta.-Mas livros são sempre pertinentes.
Pestanejo, incrédula! Suspiro, pronta a, definitivamente, recolher os ditos pertinentes quando…
-Este sistema vai ser realmente fabuloso. Em breve estará disponível…
- Tudo bem… Pode ficar com eles!
- Já conhece o sistema?

sexta-feira, setembro 26, 2008

Queria voltar ao sítio onde me esperam! Só não sei onde!

terça-feira, setembro 23, 2008

quinta-feira, setembro 11, 2008

Ensaios para Thalis

A Crónica Luna Samba hibernou só um bocadinho. Prometo ser breve. Até já!

quinta-feira, setembro 04, 2008

Diagnóstico: Bipolaridade. Tratamento: Neuroses múltiplas

Uma das minhas actividades favoritas [há quem diga anormais] é caminhar pelo centro de São Paulo de manhã até ao fim da tarde. Gosto de andar por ali. Naquele frenesim perdido, onde talvez o Inferno tenha estado um dia; e ,agora, por achar que seja um lugar demasiado estranho, tenha voado para outras moradas, deixando a promessa cumprida de um certo modo de ser infernal. Depois porque, como já disse aqui neste blog, São Paulo é um filme sem cortes: um plano sequência (que hei-de filmar) sem risco de monotonia ou segundos de bocejos aborrecidos. Em cada canto há uma história, em cada passo um tropeção que rouba um sorriso ou a náusea e, ainda, aquela expressãozinha de “uau!” surreal!! Não me habituo a esse cenário. Porque ele não se repete. É uma cidade desavergonhadamente cinematográfica. Mas, bem vistas as coisas: é um hospício a céu aberto!

Diagnóstico: “Alzheimer” Sábado, 13h. Depois da Avenida Rio Branco ela resolve caminhar. Entulho, prédios “pichados”, metade de um sofá desfeito no passeio, telhas no meio da rua, madeira esfiapada, gritos; o homem que passa está em tronco nu; pêlos abundantes excitados; um samba vadio vai-que-toca no auto-rádio: “Ele bem que podia falar com você!”.
Da bomba de gasolina ouve-se: “É abacaxi gostoso. Só aqui. Um real. É um real. Você nunca provou abacaxi assim. Só aqui, na van do Gomes. Vam´o lá pessoal. Vem conferir abacaxi natural. Só um real, Um real”. O som ecoa na avenida vazia. Na bomba de gasolina vazia. O som sai oco, vazio! Ninguém para provar o abacaxi. Só o ar. Carros passam acelerados, quase desfeitos. O motor ronca. Sai! Um armazém fechado. Outro. E depois, segue assim! Vai. De repente: uma adega de vinho! Bandeirinhas em roda vida. Amarelas, vermelhas, verdes: desfiadas! Ecos. Chegamos quase ao minhocão. Mais samba. Gritante. Estridente! Graffiti… Mais e mais. Ruínas. Casas faveladas. Churrasco na rua. Um aroma acre-queimado-que-algo-já estorricou. “Você viu ela?”. Avenida São João. Bugigangas. Jantes. Garageiros. Oficinas. E a Sala São Paulo tão imponente ao fundo. Colossal. Alva acizentada. O meu mundo não é daqui. Sou mundo. O homem segura roupa nova na mão. Cumprimenta: “Ah, tava pensando em passar lá daqui a pouco para falar com você! Posso pagar lá para terça-feira?”

Prescrição: Prozac
Banca de jornais. Uma mulher abandonada no jardim de pernas encolhidas, fetalmente dobradas. Cheiro azedo dos passeios. Mijo de anos entranhado. O homem mija contra a árvore. Casas enfarruscadas de velhice precoce. E muito alzheimer voluntário para não lembrar o que um dia foram. O carro passa. Não pára na passadeira. Deveria? Mais uma rua apinhada de sujidades. Cravejada de dificuldades. A de todos, as alheias. As que hão-de vir. E as que nunca chegam a morrer. Cobertores enrolados no chão. Mergulhados no cheiro agraz das ruas. Néons. Sexo vendido. Vende-se! Cinema com as últimas novidades eróticas. Três filmes pelo preço de dois. Sai uma tigrona em cuequinha fio dental. Uau! Mamas abundantes. Unhas garridamente avermelhadas! E aquele padrão vestuário base tipo onça pintada: ruauuuu! Vou-te pegar! E de novo, a avenida São João. Ao contrário de Caetano: nada acontece no meu coração, quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João.

Sex Shop. Montras vermelhas. Corpetes aguerridos. Palpitantes. No primeiro andar! Quer entrar? Tem novidades gostosas só para você!
Sebos e mais sebos. Os alfarrabistas. VHS por 0,5 cêntimos. Uma prateleira a ser restaurada no meio do passeio – que também se vende - falar com o dono. “Cadê ele?”. Mais um sebo! Outro. Uma galeria quase a céu aberto: Rockabillies por todo o lado; punks; emos; vendedores ambulantes. Ervas sagradas. Banca de chás. Brincos. Sapatos. Sapatarias. Alianças a 3,99 reais. Casar é fácil. Vai encalhar? As vidas que passam. Vende-se vidas. Dá para trocar? Só por uma hora. Quero saber a vida que você é!
Shoppings a céu aberto. Vende-se tudo, amontoado. Calçada portuguesa – ou o que resta dela. Som tac, tac de passos acelerados. Sola metálica. Aquele passa com olhos de diabo. O diabo anda à solta? O que é o diabo? Mais sexo. Para dar e vender. Suar e render! Vale do Anhangabaú. Pronúncia controlada. Os espíritos voam livres. Escadas entupidas de suores. Quantos roçaram o rabo ali? Olhares desconfiados. À cuca. Cucados!
Ai, acho que apaguei as fotos! Que azar heim?
Pode ir ao laboratório. Eles têm um programa para recuperar fotos, viu? Será?!

Terapias

Samba boémio. Samba improvisado. Cadeiras de plástico amarelas. Há festa nos cantos. Palhaços para a festa. Pedintes na rua. Homens deitados, encolhidamente carcomidos pelas rugas fáceis das ruas. A mulher vende sapatos usados. Com cordões. Gastos à frente. Como a pele dela; as mãos, o cabelo, a roupa. Os pensamentos! Cabelos com crista – sem mar! Há tábuas depois das grades. Para não se ver para além daquelas vitrines. Pára. Para que lado afinal? Onde há Banco do Brasil? Ali é Brasil. Ali é mundo. Tabuletas enfileiradas: homens-tabuletas: compra-se ouro!

Efeitos Secundários: Neurose..zzzzzzz!!
Poças de água de esgoto. Formigas urbanas em sobrevivência. Vitrines de roupas vadias. Em promoção. Brasil em promoção: é aqui. A moça entra e levanta a cabeça para olhar os preços da tabela colada na parede. Caro. Segundos depois a garçonete vem: quer dar uma olhada no cardápio? Já estou olhando! Sai e resigna-se: a esquina do costume com os melhores sucos da cidade. E a melhor janela para ver o Brasil – ali, naquele centro militante de passos resistentes! Um velho corcunda segura a tábua: Compra-se ouro; atestado médico com garantia; limpa-se nome…. Um nome limpo. Como será? Doa-se rim, por bom preço! O velho senta-se cansado, em frente a outro, exausto de vida. Ou talvez a placa seja apenas um pouco mais pesada que a vida dele! O homem de bigode e barba aproxima-se, arrastando atrás de si um carrinho com um placard: “Hélio Sávio”, Presidente. A fotografia: ele. Ele: a fotografia. É ele: arrasta o carrinho. Cumprimenta alguém. Play: “Ninguém deve ser discriminado pela sua origem; pela classe social; pela cor da pele; pela raça. Diga não à discriminação. Quando for votar, nas próximas eleições, vote certo de uma vez, vote Hélio Sávio. Voz imponente, som metálico.

“Você já viu. Ele é vereador da Prefeitura. Está fazendo a própria campanha. É da hora”. É. É da hora. A cidade não tem tempo. O velho do lado diverte-se: coloca pilhas numa mão de plástico, irmã gémea da mãozinha da Família Adams. Coloca-a dentro de um saquinho. Ilude quem passa de que fala com a mão para ela se mexer. Vista de longe, assim, do alto da minha janela de esquina de sucos, parece real. A roda de gente condensa-se. Mais e mais gente. Gente, gente, gente….
A praça da Sé é isso… Gente. Brasil. Mundo. Retratos reais. As mulheres estão de saias rodadas sujas. Tranças. O homem está incendiado de fé. Grita. Vocifera. Esgalha a voz como se suplicasse ajuda! Empunha a Bíblia com garra e força. Na outra mão leva o microfone à boca. “Jesus é a salvação… Jesus é devoção. Só ele salva. Só ele conforta. Não caia na tentação de ficar longe dele…” Três gatos pingados olham. Ele fala para eles como se se agarrasse ao último fio de uma corda que o segura antes do abismo, convictamente. Trai a voz desfiada em falsete. O homem quase se esbarra comigo. Passo no ponto onde nasceu São Paulo. Bem ali: em frente à Sé, o marco oficial. Mais uma roda de fé. Mas, concorrida. Diversão de sábado à tarde. Aliás, da semana toda! Quase esconde o corpo do falante! “E aí irmão? Já rezou ao Senhor hoje. Ele sabe. Mateus já dizia. Leia, leia, irmão. Leia aí uma passagem desse texto”.

Camisa de forças
Homem de chinelos. Homem descalço. Pés encardidos de cinza e de lixo. Unhas negras. Cheiro acre de corpo em decomposição. Uma roda de convívio. Fuma um cigarro. Mais outro. As escadas da Sé estão cheias de rostos. De fé! O homem passa e olha esbugalhadamente como se pedisse: salva-me; ou leva-me contigo!
Atrás da sé; da fé: as prostitutas fogem à polícia. Ela assenta arraiais ali, de carro parado. Não consegue abrir a porta do Banco do Brasil. A mulher da rua dá as indicações: você tem que puxar ela para cima e depois empurrar” Obrigada! Depois desvia o olhar: Oi gatinho! Está a fim de se divertir?
Do outro lado da rua, em lonas amarelas: “Sebo do Messias”. É: só Jesus salva, mas antes entra no hospício a céu aberto! Bem-vindos ao centro São Paulo. Talvez tenham razão as más línguas: não nada absolutamente de divertido neste lugar! Mas enfim, não tenho solução médica. Volto lá este fim-de-semana!