sexta-feira, outubro 03, 2008

Somos comedidamente ingénuos para o mundo que aí vem... Se vier que se deixe espraiar numa bela esplanada inútil, como todas as esplanadas da vida: a ver a vida passar, por perdidas revoltas que vão carcomendo cá dentro, lentamente, até à hora morta do décimo terceiro tempo. O que não vemos e está sempre diante de nós. Aquele mesmo do lapso dos outros. Porque quando os deixamos entranhar-se na nossa memória, já deixamos de ser.

terça-feira, setembro 30, 2008

Conversa de loucos (eu ???)

-Vim doar dois livros, pode ser?
-Livros são sempre pertinentes…
- Ok, então é só deixar….
- O nosso sistema ainda não está actualizado.
- Então…Não posso deixar os livros?
- Poder até pode, mas as políticas corporativas ainda não foram aprovadas e o nosso sistema ainda não está disponível, mas qualquer pessoa pode vir aqui e requisitar.
-Nesse caso vou deixar os livros.
-Seria melhor se passasse aqui amanhã para os deixar novamente, talvez tenha uma posição.
Enquanto isso inclino-me para pegar, novamente: “OS LIVROS”. Mas a senhora puxa-os repentinamente para debaixo de uma resma de papéis perdidos. Olha-me esbugalhadamente.
-Mas quer, ou não, que deixe os livros? Não estou a perceber!
- Sabe o nosso sistema permite pesquisar quaisquer livros do acervo, mas ele ainda não está disponível para todos os usuários.
-Então, ok, passo na próxima semana quando já tiver uma actualização.
- Vai demorar! O sistema ainda não vai estar disponível
Rendida, impaciente, e pronta a carregar os livros de volta.-Mas livros são sempre pertinentes.
Pestanejo, incrédula! Suspiro, pronta a, definitivamente, recolher os ditos pertinentes quando…
-Este sistema vai ser realmente fabuloso. Em breve estará disponível…
- Tudo bem… Pode ficar com eles!
- Já conhece o sistema?

sexta-feira, setembro 26, 2008

Queria voltar ao sítio onde me esperam! Só não sei onde!

terça-feira, setembro 23, 2008

quinta-feira, setembro 11, 2008

Ensaios para Thalis

A Crónica Luna Samba hibernou só um bocadinho. Prometo ser breve. Até já!

quinta-feira, setembro 04, 2008

Diagnóstico: Bipolaridade. Tratamento: Neuroses múltiplas

Uma das minhas actividades favoritas [há quem diga anormais] é caminhar pelo centro de São Paulo de manhã até ao fim da tarde. Gosto de andar por ali. Naquele frenesim perdido, onde talvez o Inferno tenha estado um dia; e ,agora, por achar que seja um lugar demasiado estranho, tenha voado para outras moradas, deixando a promessa cumprida de um certo modo de ser infernal. Depois porque, como já disse aqui neste blog, São Paulo é um filme sem cortes: um plano sequência (que hei-de filmar) sem risco de monotonia ou segundos de bocejos aborrecidos. Em cada canto há uma história, em cada passo um tropeção que rouba um sorriso ou a náusea e, ainda, aquela expressãozinha de “uau!” surreal!! Não me habituo a esse cenário. Porque ele não se repete. É uma cidade desavergonhadamente cinematográfica. Mas, bem vistas as coisas: é um hospício a céu aberto!

Diagnóstico: “Alzheimer” Sábado, 13h. Depois da Avenida Rio Branco ela resolve caminhar. Entulho, prédios “pichados”, metade de um sofá desfeito no passeio, telhas no meio da rua, madeira esfiapada, gritos; o homem que passa está em tronco nu; pêlos abundantes excitados; um samba vadio vai-que-toca no auto-rádio: “Ele bem que podia falar com você!”.
Da bomba de gasolina ouve-se: “É abacaxi gostoso. Só aqui. Um real. É um real. Você nunca provou abacaxi assim. Só aqui, na van do Gomes. Vam´o lá pessoal. Vem conferir abacaxi natural. Só um real, Um real”. O som ecoa na avenida vazia. Na bomba de gasolina vazia. O som sai oco, vazio! Ninguém para provar o abacaxi. Só o ar. Carros passam acelerados, quase desfeitos. O motor ronca. Sai! Um armazém fechado. Outro. E depois, segue assim! Vai. De repente: uma adega de vinho! Bandeirinhas em roda vida. Amarelas, vermelhas, verdes: desfiadas! Ecos. Chegamos quase ao minhocão. Mais samba. Gritante. Estridente! Graffiti… Mais e mais. Ruínas. Casas faveladas. Churrasco na rua. Um aroma acre-queimado-que-algo-já estorricou. “Você viu ela?”. Avenida São João. Bugigangas. Jantes. Garageiros. Oficinas. E a Sala São Paulo tão imponente ao fundo. Colossal. Alva acizentada. O meu mundo não é daqui. Sou mundo. O homem segura roupa nova na mão. Cumprimenta: “Ah, tava pensando em passar lá daqui a pouco para falar com você! Posso pagar lá para terça-feira?”

Prescrição: Prozac
Banca de jornais. Uma mulher abandonada no jardim de pernas encolhidas, fetalmente dobradas. Cheiro azedo dos passeios. Mijo de anos entranhado. O homem mija contra a árvore. Casas enfarruscadas de velhice precoce. E muito alzheimer voluntário para não lembrar o que um dia foram. O carro passa. Não pára na passadeira. Deveria? Mais uma rua apinhada de sujidades. Cravejada de dificuldades. A de todos, as alheias. As que hão-de vir. E as que nunca chegam a morrer. Cobertores enrolados no chão. Mergulhados no cheiro agraz das ruas. Néons. Sexo vendido. Vende-se! Cinema com as últimas novidades eróticas. Três filmes pelo preço de dois. Sai uma tigrona em cuequinha fio dental. Uau! Mamas abundantes. Unhas garridamente avermelhadas! E aquele padrão vestuário base tipo onça pintada: ruauuuu! Vou-te pegar! E de novo, a avenida São João. Ao contrário de Caetano: nada acontece no meu coração, quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João.

Sex Shop. Montras vermelhas. Corpetes aguerridos. Palpitantes. No primeiro andar! Quer entrar? Tem novidades gostosas só para você!
Sebos e mais sebos. Os alfarrabistas. VHS por 0,5 cêntimos. Uma prateleira a ser restaurada no meio do passeio – que também se vende - falar com o dono. “Cadê ele?”. Mais um sebo! Outro. Uma galeria quase a céu aberto: Rockabillies por todo o lado; punks; emos; vendedores ambulantes. Ervas sagradas. Banca de chás. Brincos. Sapatos. Sapatarias. Alianças a 3,99 reais. Casar é fácil. Vai encalhar? As vidas que passam. Vende-se vidas. Dá para trocar? Só por uma hora. Quero saber a vida que você é!
Shoppings a céu aberto. Vende-se tudo, amontoado. Calçada portuguesa – ou o que resta dela. Som tac, tac de passos acelerados. Sola metálica. Aquele passa com olhos de diabo. O diabo anda à solta? O que é o diabo? Mais sexo. Para dar e vender. Suar e render! Vale do Anhangabaú. Pronúncia controlada. Os espíritos voam livres. Escadas entupidas de suores. Quantos roçaram o rabo ali? Olhares desconfiados. À cuca. Cucados!
Ai, acho que apaguei as fotos! Que azar heim?
Pode ir ao laboratório. Eles têm um programa para recuperar fotos, viu? Será?!

Terapias

Samba boémio. Samba improvisado. Cadeiras de plástico amarelas. Há festa nos cantos. Palhaços para a festa. Pedintes na rua. Homens deitados, encolhidamente carcomidos pelas rugas fáceis das ruas. A mulher vende sapatos usados. Com cordões. Gastos à frente. Como a pele dela; as mãos, o cabelo, a roupa. Os pensamentos! Cabelos com crista – sem mar! Há tábuas depois das grades. Para não se ver para além daquelas vitrines. Pára. Para que lado afinal? Onde há Banco do Brasil? Ali é Brasil. Ali é mundo. Tabuletas enfileiradas: homens-tabuletas: compra-se ouro!

Efeitos Secundários: Neurose..zzzzzzz!!
Poças de água de esgoto. Formigas urbanas em sobrevivência. Vitrines de roupas vadias. Em promoção. Brasil em promoção: é aqui. A moça entra e levanta a cabeça para olhar os preços da tabela colada na parede. Caro. Segundos depois a garçonete vem: quer dar uma olhada no cardápio? Já estou olhando! Sai e resigna-se: a esquina do costume com os melhores sucos da cidade. E a melhor janela para ver o Brasil – ali, naquele centro militante de passos resistentes! Um velho corcunda segura a tábua: Compra-se ouro; atestado médico com garantia; limpa-se nome…. Um nome limpo. Como será? Doa-se rim, por bom preço! O velho senta-se cansado, em frente a outro, exausto de vida. Ou talvez a placa seja apenas um pouco mais pesada que a vida dele! O homem de bigode e barba aproxima-se, arrastando atrás de si um carrinho com um placard: “Hélio Sávio”, Presidente. A fotografia: ele. Ele: a fotografia. É ele: arrasta o carrinho. Cumprimenta alguém. Play: “Ninguém deve ser discriminado pela sua origem; pela classe social; pela cor da pele; pela raça. Diga não à discriminação. Quando for votar, nas próximas eleições, vote certo de uma vez, vote Hélio Sávio. Voz imponente, som metálico.

“Você já viu. Ele é vereador da Prefeitura. Está fazendo a própria campanha. É da hora”. É. É da hora. A cidade não tem tempo. O velho do lado diverte-se: coloca pilhas numa mão de plástico, irmã gémea da mãozinha da Família Adams. Coloca-a dentro de um saquinho. Ilude quem passa de que fala com a mão para ela se mexer. Vista de longe, assim, do alto da minha janela de esquina de sucos, parece real. A roda de gente condensa-se. Mais e mais gente. Gente, gente, gente….
A praça da Sé é isso… Gente. Brasil. Mundo. Retratos reais. As mulheres estão de saias rodadas sujas. Tranças. O homem está incendiado de fé. Grita. Vocifera. Esgalha a voz como se suplicasse ajuda! Empunha a Bíblia com garra e força. Na outra mão leva o microfone à boca. “Jesus é a salvação… Jesus é devoção. Só ele salva. Só ele conforta. Não caia na tentação de ficar longe dele…” Três gatos pingados olham. Ele fala para eles como se se agarrasse ao último fio de uma corda que o segura antes do abismo, convictamente. Trai a voz desfiada em falsete. O homem quase se esbarra comigo. Passo no ponto onde nasceu São Paulo. Bem ali: em frente à Sé, o marco oficial. Mais uma roda de fé. Mas, concorrida. Diversão de sábado à tarde. Aliás, da semana toda! Quase esconde o corpo do falante! “E aí irmão? Já rezou ao Senhor hoje. Ele sabe. Mateus já dizia. Leia, leia, irmão. Leia aí uma passagem desse texto”.

Camisa de forças
Homem de chinelos. Homem descalço. Pés encardidos de cinza e de lixo. Unhas negras. Cheiro acre de corpo em decomposição. Uma roda de convívio. Fuma um cigarro. Mais outro. As escadas da Sé estão cheias de rostos. De fé! O homem passa e olha esbugalhadamente como se pedisse: salva-me; ou leva-me contigo!
Atrás da sé; da fé: as prostitutas fogem à polícia. Ela assenta arraiais ali, de carro parado. Não consegue abrir a porta do Banco do Brasil. A mulher da rua dá as indicações: você tem que puxar ela para cima e depois empurrar” Obrigada! Depois desvia o olhar: Oi gatinho! Está a fim de se divertir?
Do outro lado da rua, em lonas amarelas: “Sebo do Messias”. É: só Jesus salva, mas antes entra no hospício a céu aberto! Bem-vindos ao centro São Paulo. Talvez tenham razão as más línguas: não nada absolutamente de divertido neste lugar! Mas enfim, não tenho solução médica. Volto lá este fim-de-semana!

terça-feira, agosto 26, 2008

quarta-feira, agosto 20, 2008

"A Viagem do Elefante"

"Chegamos sempre ao sítio aonde nos esperam". Livro dos Itinerários. "A viagem do elefante" - o mais recente romance de José Saramago sai em Dezembro. Se me perguntarem, sou saramaguiana desde pequenininha!

terça-feira, agosto 19, 2008

A nossa capacidade para avaliar o que é ou não notícia é, de dia para dia, inqualificável. Explico: não há tabelas suficientemente eficazes para avaliar aquilo que é, actualmente, intangível: o valor notícia! Começa a ser dúbio, na realidade, o que é isso de ser "jornalista". Falta muito pouco para a espécie entrar em vias de extinção. Por cá, está no poder o jornalismo "comidinha- rápida" - entenda-se aquele que quer dizer tudo e não fala de nada; e inventa do nada tudo para, simplesmente, "animar" os olhos ansiosos por "pãozinho e circo"... Para já, só aqui isto é notícia...Mas não falta muito para o vírus se espalhar!

quinta-feira, agosto 14, 2008

Subsolos do Cais 23

Maria entra no prédio. A porta chia. Roçam as dobradiças. Acutilantes, secas, desgarradamente estéreis. De óleo só o cabelo do solteiro do subsolo. E o rançoso dos ralos. As janelas estão remendadas: fita-cola castanha, transparente, sacos plásticos do Continente: amarelos, brancos. Miaaauu, um gato “stressado”, eriçado, empenhado em roçar-se depois. As socas tacteiam o chão lapidado de solas.

Depois “PLOCS” violentos. Parece que pisa ovos fora do prazo de validade. E aquela saia foi moda há anos. As cores estão murchas, como as mãos: gastas pela lixívia. "Domestos 3" para um-branco-mais-branco-que-quase-lava-almas. Menos as paredes daquela entrada. A sujidade entranhada é inquilina fiada, com lugar cativo do alto, amigada com aracnídeos, exímios da arte de costurar teias. Se tivessem corpo, poderiam ser executivos de sucesso. Aquelas paredes da entrada já que mereciam um produto assim. Vai continuar a merecer mais uns quantos milhares de badaladas de relógios estragados. Sem tempo. O cão ladra. Gane, agora. Latidos roucos ansiosos pelo pão. Hoje vai ter migalhas, que o pão é para o Zé.

O velho do quarto andar sai do elevador. (schiuu...é o senhorio!) Balbucia amenidades consigo, enquanto leva ainda o jornal que assina há 40 anos debaixo desse sovaco azedo Brut século passado. Coitado, e ele que até é tão limpinho! Clique! Tlac! Zum! Flit! A saia roda. As flores desbotadas bem que ganham viço no ar. Grades malandras quase se desfazem em pedacinhos metálicos. Elevador que quase encalha.

Zás! Maria vai. Maria sai. Ai, Maria: outra! O casal de namorados enrosca-se nas escadas. Ele tapa a cabeça rapada com o carapuço do casaco bordado a um “I´m the Man” (talvez o único naquele antro de almas descasadas): um Eminen de boca colada nos lábios da “mina” de mamas que começam a encher o soutien. Mais uns meses e rompem. Meias amarelas. Sapatos roxos. E amanhã há mais.
No terceiro andar moram gritos. Uns dias mais bem humorados – raramente – outros mais inflamados – quase sempre! A porta para o lado de dentro dá para uma mulher -trombeta, desajustada às necessidades dos filhos da era high tech: Boicote aos pais.

Apareçam um dia destes na nossa vida, estamos em “black out” até à idade adulta. Ardem de suor adolescente, fervidos pelo poder absoluto de eu sou um máximo-e-ai-de-quem-me-contrariar. E só para contrariar: bem vistas as coisas são vítimas, sim senhor. É um problema de mobiliário. A culpa não é da fase do armário. Já saíram dela: estão na fase da cama. Na tua ou na minha? Ele não pode fazer isso: IPOD, POD...Basta ligá-lo. Plug in...

Um TAC-TAC sai das escadas. Entra Dona Rita. O quiabo está quase grelhado. Depois o milho. E hoje vamos comer migalhas que o pão é para o Zé na prisão amanhã à tarde. Ela tirou o dia de folga para viajar quatro horas de autocarro. Abraçar durante 20 minutos. [18 dos quais com o mau humor acumulado - arrepende-se nos dois últimos - mais que as milhas aéreas para trocar. Cartão ouro mundial para o principal mentor dos dentes cerrados]. E voltar. Uma vez por mês não custa. Custa é saber quando ele sai. Se é que ele sai.

Entra a polícia. Tiros para o ar. Se tivessem luz fariam um daqueles fogos-de-artifício quase pseudo-carnaval. Olha a quica, a quiquinha... Amor, passa-me um cigarro. Conta os trocos. É dia dez e o pilim já se foi. Faltam 20 dias. Quem acha que a vida é dura não conhece o Prédio do Cais 23.

Cheira a suor. Houve ouro escondido um dia. Devoram-se corpos. Apanha-se beatas do chão: uma e duas vezes. Até juntar a terceira para fazer mais uma. Sugam-se migalhas. Vende-se sentimentos. Desfilam olhos famintos no buraco da fechadura. E Maria vai coser massa com frango para hoje, porque amanhã é dia de pão!

Janelas deambulantes

terça-feira, agosto 12, 2008

segunda-feira, agosto 11, 2008

Risco de indigestão

É doce com sal. Amargo com açúcar. Míope na sua perfeita visão. E exímio na perfeita turvação da análise da vida. "Blurred"? "I feel nothing"!
Ainda não é feliz quando ri, nem triste quando chora. Fala com o silêncio. Está calado quando grita as palavras rasgadas de uma inteligente retórica. Imita sem ser mimético. Grita sem ser ouvido. Olha sem ser notado. Arrasta-se sem andar. Mergulha sem se molhar. Come ar. Vomita pensamentos sem ter uma única ideia. Vazio. Despojado ostentador. Resumido homem barroco. Chato. Lamacento. Lesma rápida! Lamenta a tampa da garrafa de plástico; elástico. Vazio, multiplicado por zero para dar nada! E sim, este ser não existe: é insípido, inodoro e incolor, insensível; um resto de anti-séptico que deitamos no algodão para desinfectar.
Homem afectado, desinfectado...alienado. Como gostamos: asséptico: tão-sem-gosto; tira-gosto; assimilado. Um ser gastronómico "fast-fast-comidinha ligeira": para comer sem mastigar. Engolir sem saborear. Apimentar. Salgar! Atenção: risco de indigestão!

quinta-feira, agosto 07, 2008

Ordem e Progresso

Prédios azuis. Vermelhos. Amarelos. Casas. Fissuras. Fendas. Fechaduras. Frinchas. Tendas de Papelão. Cadeiras Rasgadas. Flores amarfanhadas. Desabrochadas. Arrancadas. Amostras de flores. Laços de prendas nas árvores despidas. Galhos. Folhas. Madeira estalada. Árvores. Amostras de árvores. Cimento. Betão. Betão branco. Pontes. Cinzento. Ar dormido. Ar alienado. Amostra de Ar. Azulejo, “Verdalejo”. “Amarelejo”. Tijoleira. Carros. Viaturas. Autocarros. Torniquetes. “Ônibus”. Autocarro para todos! Suados.

Categoria “sem-carro”. Ciclovias. Recua: nada disso! Arranha-Céus. Fios eléctricos a céu aberto. Céu. Azul. Vermelho. Amarelo. Cinzento. Carrinhas Amarelas. Blindadas. Soluçadas. Protex? Cubículos. Caixas de homens com tecto. Sem-tecto. Amostras de casas. Homem. Pessoas. Multidão. Civilização. Bichos. Avenidas. Ruas. Vielas. Praças. Bustos. Estátuas. Amostras de homens. Páre. Sentido Obrigatório. Placas azuis. Vermelhas. Amarelas. Cinzentas. Cinzeladas. Empoeiradas. Rua Groenlândia. Rua Funchal. Rua Piracuama. Apinajés. Rua Estados Unidos. Rua Canadá. Inglaterra. Alemanha. Rua mundo. Cabem todos aqui?

Ônibus universal. Há vida depois do mundo? Sedex. Envie já. “Mandou, chegou!”. Carros blindados. Espelhados. Rua Tautik. Rua Pelotas. Carros. Galhos. Fios eléctricos. Cruzados. Enrugadas. Emaranhados. Estilizados. Táxi. Moto. Helicóptero. Comboio. Trem. Train? Metro. Pernas, pés, mãos. Cimento. Sapatas. Alicerces. Amostras de passos. Compasso. Alienado. Rua Aleluia. Via São Paulo?

(C)em limites

segunda-feira, agosto 04, 2008

O problema deste exagero ecológico -viva o capitalismo ambiental- é que até os sorrisos são reciclados.

sábado, agosto 02, 2008

Literatura/Prémio Portugal Telecom

Em primeira mão, a "Crónica" revela os finalistas do "Prêmio Portugal Telecom de Literatura, 2008"

O júri do Prémio de Literatura Portugal Telecom divulgou há instantes, numa cerimónia no Consulado de Portugal, em São Paulo, os dez candidatos ao veredicto final - que sai a 29 de Outubro.

“Eu hei-de amar uma pedra”, romance do escritor português António Lobo Antunes, publicado em 2004 foi um dos seleccionados, bem como “Os da minha rua” (2007) do escritor angolano Ondjaki e "O sol se põe em São Paulo" (2007) do escritor e jornalista brasileiro Bernardo Carvalho.

A lista completa é:

1."20 poemas para seu walkman", Marília Garcia Cosac, Naify / 7Letras,
POESIA BRASILEIRA

2."Antonio", Beatriz Bracher, Editora 34
ROMANCE BRASILEIRO

3. "Eu hei-de amar uma pedra", António Lobo Antunes, Objetiva
ROMANCE PORTUGUÊS

4. "Histórias de literatura e cegueira", Julián Fuks, Record
CONTO BRASILEIRO

5."Laranja seleta", Nicolas Behr, Língua Geral
POESIA BRASILEIRA

6."O amor não tem bons sentimentos", Raimundo Carrero, Iluminuras
ROMANCE BRASILEIRO

7. "O filho eterno", Cristovão Tezza, Record
ROMANCE BRASILEIRO

8. "O sol se põe em São Paulo", Bernardo Carvalho, Companhia das Letras
ROMANCE BRASILEIRO

9. "Os da minha rua", Ondjaki, Língua Geral
CONTOS ANGOLANOS

10. "Tarde", Paulo Henriques Britto, Companhia das Letras
POESIA BRASILEIRA