quarta-feira, dezembro 26, 2012

Queda para a serendipidade

"as coisas estão no mundo só que eu preciso aprender"

"vivemos, estamos vivendo, lutando para justificar nossas vidas" 

(Paulinho da Viola) 




Há tardes absolutamente mágicas. Há dias em que o acaso se ri para nós, na esquina de uma rua todos os dias calcorreada, e nós, mais disponíveis para amar o amor do presente, acendemos "a vela no breu". No breu da nossa fugacidade. No breu da imprevisibilidade, com atenção devida, pois, estamos mais disponíveis para sermos levados, sem agenda, sem horários, sem compromissos, apenas um pacto provisório com o nada. Estamos a viver um pedaço de vida como ela for. 

Pus a Pentax K-1000 na bolsa, o velvia ainda lá está a carecer de 10 cliques para virar revelação e positivo, e levei a vida para a tarde. Mas quis ela, porque já tinha outros planos para mim, que voltasse ao lugar de um pequeno crime sem maldade e não terminasse os dez frames finais. Isso porque, apercebo-me, tenho queda para a serendipidade.

Ando a investigar os prédios antigos da cidade com propósitos, claro, fotográficos. Se perguntarem digo a verdade, que adoro a doçura e a meiguice de prédios antigos, que gosto de espreitar fechaduras improvisadas à procura de histórias. Que sou uma miúda curiosamente metida que se encanta com placas antigas de telefones ainda do tempo de ingleses, com portas de vidro com nome de detetives privados, com campaínhas de ferro e maçanetas velhas. E isto com a idade fica cada vez pior. Sem nostalgias. Mas a atualidade noticiosa e a frugalidade das conversas superficiais interessam-me cada vez menos e estou empenhada em viver dias felizes todos os dias, com calma e horas que valham a pena. Um imenso agora, porque é o que realmente importa, na justa selecção do tempo.

Voltei ao local do delito porque a primeira vez que fui lá parar a porta estava fechada. Desta vez a porta estava entreaberta e o Nuno Moreira, senhor dos seus competentes 56 anos, talvez, um artesão do vinyl -porque os lava, limpa, estima, preserva e torna capas velhas em novas - me recebe como quem estava à minha espera. Nunca nos víramos. Passamos a tarde a falar e a ouvir música de intervenção (Adriano, José Mário Branco, Fausto, Manuel Freire, e outros como o Gabinete de Acção cultural), Carlos Paredes ao vivo em Frankfurt, James Brown, bossa nova (João Gilberto, sobretudo) e Carmen Miranda. Ah, quase me esquecia: e os Beatles portugueses. Os sheikes. Alguém se lembra?

As paredes e a memória dele contaram histórias. Embeveci. E, depois, ele fez questão de me mostrar os cantos à casa. Ou melhor dos corredores daquele andar, porque são casas onde as vidas se passam num corredor que atravessa a casa. Do lado de dentro casas residenciais. Do lado da rua, escritórios. Naquele piso, particularmente, encontros ecuménicos: a sala de vinis novos, a sala de vinis velhos, um tarólogo, uma vendedora de produtos de cosmética natural, uma sala de reuniões espíritas e a sala da associação de detetives privados vazia, por alugar. Há ainda uma cantora lírica reformada que fez carreira na América Latina. O prédio, um organismo vivo. 

Na contabilidade da despedida trouxe "O melhor de João Gilberto", "James Brown" e o Paulinho da Viola, "Memórias Cantando". Lá deixei reservados a Carmen Miranda, o Carlos Paredes e a coletânea de música de intervenção. A vida, dizia Nelson Rodrigues, como ela é. Talvez esta seja uma forma de amor universal.



 

domingo, dezembro 16, 2012

conversa fiada [tesouros de fim de semana]

"Foutaises" (1989), ou Conversa Fiada, a curta-metragem de Jean-Pierre Jeunet 


 

sexta-feira, dezembro 07, 2012

contágio sensorial

É esta cidade quieta, que se deita quando se arrumam os chinelos debaixo da cama. Ouço-te. Apago a luz. Ainda sussurras. E chegas à cama enquanto durmo, mas acordas-me com beijos, porque dizes que é mais forte do que tu. Venho a mundo, estou na fronteira do país dos sonhos, consciência fugaz. Espera, é apenas aquele embalo na voz. Os lençóis estão já encorrilhados. Rolaste à minha espera. As mãos tatearam gulosas as reentrâncias suaves do que podem ser torvelinhos da costura. Saberão as máquinas que fazem tapetes de nuvens onde se deitarão os corpos para amar? Também se agarram sem desejo, a paz da ternura, o beijo que a pele dá sem se beijar, sem a boca, claro, um diáfano sopro da derme, contágio sensorial. 

quinta-feira, dezembro 06, 2012

a estranheza de um corpo

O homem que fala não sabe o que aqui anda a fazer. A rapariga que fala diz que são coisas de "vudus" e assim, pergunta se a outra sabe o que é. Não imagino sequer de que combinam. Arrepio-me. O rapaz que fala ri-se muito e não tem tento na língua. Há bocado, um bando de depravados galou desavergonhadamente a rapariga de saia curta. Ela roía as unhas, roxas, uns tamancos respeitáveis. Uns senhores tamancos. 
-Levava-te para casa e lambia-te essa c... toda.
- Eu faria de ti um corno manso, ripostou. 

E ainda se diz que o direito de resposta anda moribundo.

Fala muita gente ao mesmo tempo e há conversas que se perdem. É ruído branco. A mulher ao meu lado fala muito ao telemóvel. O rapaz da frente baixa os olhos e posso dizer que já nasceu cabisbaixo, que há-de ficar corcunda cedo na vida. O cabo-verdiano que fala em crioulo, repete muitas vezes a mesma ideia, por outras palavras, para que a tia entenda: recebe o salário na segunda-feira, fará a transferência na terça-feira e ela terá o dinheiro na quinta. Repete: segunda-feira é dia de pagamento, o dinheiro por ser de banco diferente só cai na conta dela dois dias depois. Como recebe à noite, só terça-feira de manhã consegue ir ao banco. A tia não acredita, desconfia. Ele volta a explicar, irritado que ela duvide da palavra dele. 

Evapora-se a conversa em ruído branco. Evoco o direito à desatenção, não quero ouvir. 

Aos meus pés, uma garrafa de água de 1,5 l, meia cheia, meia vazia, bamboleia. É um corpo estranho. A mulher que se senta ao meu lado assusta-se com a garrafa. Encosta-se quase a mim. É outro corpo, demasiado, estranho. As paragens passam; na verdade ficam. Eu sou paisagem. 

Se me perguntarem quanto tempo demoro ao destino, direi: o tempo de cinco paragens...centenas de corpos estranhos, vozes dissonantes, e muito ruído branco. Há medidas de tempo que são a estranheza de um corpo, ou a ininterrupção de um pensamento. Perdi a paragem!

quarta-feira, dezembro 05, 2012

tinta permanente...

...será aquela que já escreveu as páginas do meu 2012. Será cedo para um balanço deste ano, mas súbita vontade de dedilhar o teclado como quem toca piano apoderou-se desta jovem miúda que, no próximo mês, já conta mais um número para os "intas" e continua a pensar que, afinal, não saiu dos 28, porque a vida nos mostra que há tanta frescura, onde, às vezes, vemos nublado.

A contas com o ano: vivi. 

Vivi muito e bem e do peso que se fez leveza e da amargura que se fez Primavera, do abalo que se fez cascata em descida de tobogan. Vivi, juro que vivi, tanto e bem. Que um ano será pouco para o tanto que tive o privilégio de viver, sentir, crescer e encontrar alguma paz interior, de sorrir por nada, de enfim, perceber que o que importa é viver, que os problemas como vêm, vão e, no fundo, só precisamos de viver e tornar o dia a melhor coisa que pudermos, rodear-nos das pessoas que nos querem bem e felizes, que nos inspiram, que nos fazem bem e apoiam, nos dizem palavras doces e um colo que nos embala, certos de que tudo passa e que, de fato, foi um pretexto para termos esse aconchego como se mais nada no mundo existisse. 

Se tudo finasse naquele momento, ainda que com dores no pensamento, que nos impõe ao corpo, tudo finaria bem porque estava docemente embalada, protegida, cuidada. E este ano cuidei muito e fui cuidada. 

Comecei, verdadeiramente, a viver 2012, em Abril, depois de um acidente de carro, onde tive a certeza de que tudo terminaria. Tive a certeza de que, ainda assim, tudo estava certo, de que não mudaria nada na minha vida. Estou grata por tudo. Que estava vivendo exatamente aquilo que devia viver. Escrevi uma carta a mim mesma para abrir dali a um ano. Estive em Marraquexe, em Toulouse, na fenda de uma pedra no Gerês, onde reaprendi a confiar e, se calhar, a amar; estive em Bragança, em Odeceixe, na Afurada, vivi o Porto escondido, vi o pôr-do-sol no Guindalense Futebol clube, contracenei numa curta-metragem, fiz praia até o sol se esconder, joguei volei, degustei amigos, fiz judo, ayurveda, acarinhei a família, cozinhei para os amigos, abracei e ouvi quem de mim precisou.

Fiz teatro, festas para amigos, editei vídeos, viagem de caravana até à Eslovénia, escrevi sobre o que mais gostei, fiz uma grande reportagem sobre um mundo incrível, andei por aldeias raianas a ouvir histórias de contrabando e salto, li livros maravilhosos, perdi-me em alfarrabistas, dormi agarrada, tive jantares cozinhados só para mim, só porque estava triste, ou só porque sim; fotografei muito e conheci-te.

2012 se foi um ano duro, onde muitas vezes as lágrimas também vieram, foi também um ano leve de começos e recomeços. De aprendizagem muita. De generosidade e paciência para não deixar que os problemas me enruguem demasiado e com peso a minha energia, o meu carinho, a minha leveza em acreditar que vale a pena ser leve e partilhar. 2012 foi um ano muito bom.

quarta-feira, novembro 28, 2012

aforismos existenciais



1. as grandes reportagens deviam dar grau direto para doutoramento, que isto é coisa equivalente q.b., dolorosa, cruzar discurso, entrar discurso, cortar discurso, colar discurso, ouvir como se lê, não querer falar, e um emaranhado de dados estatísticos simplificados...

2. Com tanto corta e cose deveria ter sido costureira.

3. a minha grande reportagem também tem costureiras.

4. e linhas presas.

5. é sobre presas

6. weird things happen all the time


quinta-feira, novembro 15, 2012

teoria da poupança, salvo uma excepção


Não sou saudosista, pelo contrário. Acredito no presente como imperativo de um passado e de um futuro. Tento olhar em diante. Sou curiosa pelas novidades, mas tenho uma necessidade de memória, de raízes e persisto na importância da aprendizagem contínua, como um ciclo da natureza. Outros, antes de mim, já viveram as alegrias, as angústias, os amores, desamores, paixões pelas coisas e pelo conhecimento, avidez de imortalidade e sabedoria, a eternidade de um beijo, o prolongamento de bom momento, enfim, que o tempo não tenha tempo.

Em rigor, as vivências humanas, qualquer que seja o contexto, com maior ou menor grau de sofrimento, compaixão, sensibilidade, tolerância, sorte e justiça, terão sido quase sempre as mesmas, porque os nossos mecanismos neurobiológicos, mais ou menos desenvolvidos, assentam numa função fisiológica que é sobreviver a todas as intempéries, satisfazendo necessidades básicas.

Os bons livros, que refletem, pensam e, assim, nos ensinam a importância da memória coletiva, ou mesmo a história dos nossos avós, dos pais, dos registos que temos a sorte de um dia desvelar, isso nos sussurram. Não somos mais que uns e outros, podemos, sim, deixar uma marca, e fazer desta nossa missão uma forma de partilharmos caminhos. E ele deve ser feito a sorrir, sem mágoas, opressões. Temos direito a isso.

Impõe-se tamanha reflexão de botequim só por causa de uns lenços de homem que vi, hoje, na vitrine de uma casa de meias, a € 1,60. Nesse instante, que durou segundos, veio-me todo este exercício mental, levando-me por caminhos onde, de certeza, se deu um hiato temporal, no sentido de uma teoria da poupança até às minhas memórias de infância.

De imediato, lembrei-me que os lenços, e as fraldas, tal como os guardanapos que ainda temos em casa, eram de pano e que eram reutilizados, depois da lavagem. Lembrei-me que só se comprava roupa por necessidade, um par de cuecas, p.e.g, que deixou de cumprir funções de resguardar as partes, ou as peúgas, ou um anorak, ou umas calças de ganga, e mesmo essas levavam remendos que era uma maravilha de moda. Outra tendência eram os rissóis que a minha mãe fazia de dois em dois meses para congelar, ou a bola, ou as pizzas e outras coisas caseiras (como os iogurtes) que já não me lembro, como forma de poupar na alimentação. Ou até mesmo os tupperware que serviam para guadar restos (nunca mais esqueci um paté de peixe delicioso que a minha mãe inventou a partir de umas sobras). Fazia-se também muitos bolos de laranja, limão e coco, tartes de maçã. A sopa sempre abundou na casa, e, ainda, dura a semana inteira. Sempre houve muita fruta e groselha para fazer sumo, ou batidos.

Ocorre-me isto, também, na mesma medida, em que os meus avós diziam, a semana passada, que conseguem comer toda a semana, por menos de € 40. E eu fiz as contas: entre sopa, pão, massa, arroz, carne, peixe, ovos, legumes e fruta, mais uns luxos que podem ser queijo e chocolate, sempre a cozinhar em casa, com água, gás e eletricidade e, bem vistas as coisas, há que dar razão à poupança.

Depois, dizia-lhes eu, deixamos de reparar as coisas. O ferro estraga-se, compra-se outro. A Varinha mágica deixa de fazer magia e encostamos para canto para enferrujar até que temos de comprar outra. Qualquer que fosse o eletrodoméstico, arranja-se conserto. Temos vícios, temos luxos e estamos mal habituados, é um fato. Pagamos mais impostos, estamos a perder direitos sociais, temos, na verdade, menos qualidade de vida e mais preocupações auto-infligidas. Serão, pois, esses mais fatos. E , como tal, acredito na poupança assim, não como forma de sobrevivência, mas como exercício elementar de um equilíbrio de vida lógico, saudável e humano. A única coisa em que não poupo, pois, é no Amor. E isso também se lê nos livros: é linguagem universal, passado, presente, futuro, isento de taxas, políticas, ideologias e idade, aprendizagem contínua, ciclo da natureza.

mensagem da hilda

"o único homem que me faz escrever e criar é aquele com quem não me apetece ter sexo, pode van?"

terça-feira, novembro 06, 2012

aos 89


O Sá Carneiro morreu a 4 de Dezembro e a minha avó voltou de França a 16. Nem vou confirmar a data inicial porque confio na memória dos 89 anos de sabedoria que a põem a comer pão com queijo brie, depois de almoço, como se não houvesse amanhã. Não sabemos, talvez não haja. Hoje importa porque estamos cá. E depois atira com o naco de bairrada que lhes levei (porque o meu avô está atento ao pão e à conversa) para o lado, num zás manual, porque lhe digo que está a abusar. Ri-se da minha repreensão. 
- Então, é para não comer mais!

Segundos depois está a comer as paciências para acompanhar o café. Afinal, não é pão. São paciências. Sabe rir-se e diz que ama a vida. Por isso gostaria de viver para sempre. Mesmo com a dor na perna, mesmo ouvindo mal, por causa de uma constipação que lhe pôs os ouvidos a sangrar, um mês antes de Sá Carneiro morrer, quando ainda estava em Paris, quando ainda tinha de atravessar o Parque Monceaux de mão no terço, dentro da bata, para afugentar o medo que alguém lhe fizesse mal às cinco da manhã. Imagino o frio gelado de Inverno a gretar-lhe o nariz grosso e grande, hoje adornado de rugas marcadas, que se riem muito com ela, quando se ri. O meu avô diz que a história deles dava um romance. Todas são, diz-lhe a minha tia. E ele sai para ir espiar a galinha pôr o ovo e tirá-lo antes que ela o coma. Missão cumprida. A avó chama agora a galinha fraquinha que anda no quintal. Coitada, é franzina, quase sem penas. Começa a piar, ela, para a galinha, a testa enruga-se, o nariz enruga-se. A galinha enrugada e franzina vem a correr, como respondendo ao chamado. A avó atira-lhe com a casca do brie. A minha avó voltou de França ainda não era eu nascida. Espero aos 89 anos estar a chamar galinhas de testa enrugada a amar a vida assim e a abusar do pão com brie.

domingo, outubro 28, 2012

aduelas


bilan, o músico

Companheiro de viagem, habitante de um país inventado chamado spera mundi, um músico talentoso. Para conhecerem o trabalho dele podem ir diretamente ao my space e, ainda, "descarregar", gratuitamente, um trabalho que ele fez, ao vivo, com Madou Sidiki, "Sur Le Niger".

quarta-feira, outubro 24, 2012

Receita anti-crise para elevar o nível de otimismo

Entre a minha amada Piauí de Outubro, fresca, carnuda, cheirosa, que sempre me oxigena as ideias e a prosa- e trazida pelo casal maravilha, que por acaso são duas pessoas também amadas, a Tânia e o Alfredo-, "A Grande Arte" do Rubem Fonseca, que num irracional ato de quem sucumbe ao materialismo da literatura, mas continua sem euros que se aproveite na conta bancária, entrou-me pela mala dentro; "O Livro Amarelo do Terminal Rodoviário", de Vanessa Bárbara (Cosac Naify, 2008), prémio Jabuti de livro-reportagem no mesmo ano; os "Sinais" do Fernando Alves, na TSF, e os vídeos do Philip Bloom e do NewsShooter, posso dizer que tenho encontrado a fórmula anti-crise, para enganar as rugas do pessimismo, dando um "up", claro, na minha percentagem diária de otimismo. E, quem sabe, manter um certo garante mensal, com ideias, também elas, novas, frescas, oxigenadas, carnudas, cheirosas.

Bem sei que é uma combinação bastante egoísta, personalizada, egocêntrica, narcísica, enfim, massagem intelectual, autista, mesmo, mas ao menos consigo, com estes entorpecentes ao modo Laranja Mecânica, entreter-me, como quem, na realidade, prepara, a partir desta arte da guerra, com cultura, o modo de derrubar governos para lá de incompetentes. Sei que me engano a mim própria, mas na impossibilidade de mudar o curso das coisas, posso, nesta mágica quase quântica, sentir-me mais forte, útil, e fortalecida, para os tempos ainda mais difíceis que aí vêm. E, quando voltar a emigrar, assim espero, terei, certamente, investido o tempo pessoal, como deve ser, para fazer do meu mundo ao redor, inventar um país, quem sabe, um lugar ainda mais habitável.